Atolados numa crise sem precedentes, os argentinos estão investindo o que podem no Brasil, mais especificamente em imóveis na capital catarinense e em Balneário Camboriú. O mais curioso é que os bons negócios estão sendo fechados com brasileiros também em crise, que estão vendendo suas propriedades a preços bastante atraentes.
A dona de casa Estela Aromi, de 45 anos, saiu às pressas de sua residência em Buenos Aires para abraçar uma oportunidade dessas na praia de Canasvieiras. Ela está fechando a compra de um apartamento de dois quartos por R$ 64 mil, quando a média dos preços de um imóvel com essas características naquele balneário gira em torno de R$ 80 mil a R$ 90 mil.
Estela está comprando o apartamento de um médico da cidade de Videira, no Meio-Oeste do Estado. Para a dona da imobiliária que está fechando a transação, Ione dos Santos Nascimento, uma crise está salvando a outra: ‘‘Com o Brasil nesta situação, fica muito pesado para quem mora fora de Florianópolis manter um imóvel durante todo o ano e desfrutar, no máximo, um mês. Ione é dona de uma das maiores imobiliárias do Norte da Ilha, a Ione Imóveis. Ela calcula que o movimento nas vendas para argentinos tenha subido 30% na região.
CriseOs três anos de recessão - a maior da história da Argentina - abalaram corações, mentes e, principalmente, os bolsos dos habitantes. Segundo a empresa de consultoria CCR, desde 1998, o consumo dos argentinos caiu 15%. A CCR também indicou que o consumo não deu indícios de reativação, apesar da queda de 10% dos preços dos produtos de consumo em massa, no mesmo período.
Segundo a CCR, a Argentina foi no século XX um país com três classe sociais definidas: a classe alta, média e baixa. No entanto, na virada do século XXI fica cada vez mais definido que a classe média está evaporando, e que seu consumo se parece cada vez mais ao da classe baixa.
Com a crise aumentou o número de homeless portenhos - os mendigos. E elementos antes pouco frequentes na paisagem urbana portenha, agora são centenas no centro de Buenos Aires.
Segundo a Secretaria de Assuntos Sociais da prefeitura, nos últimos dois anos, o número de homeless aumentou 35%. No total são 1,2 mil pessoas, dos quais 40% estão localizadas no centro.

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