Fugir do peso é a maior preocupação dos argentinos neste momento. Ninguém quer ficar com a moeda do país na carteira devido ao crescente temor de que o governo promova uma desvalorização a qualquer momento.
Se comprar dólares se tornou uma batalha, os argentinos tentam descobrir outros caminhos para proteger suas economias. As concessionárias de automóveis foram as mais beneficiadas. Estimativa da Câmara de Comércio Automotivo aponta que na semana passada o crescimento da venda de automóveis usados chegou a 15%; a venda de carros novos aumentou em 10%.
Apartamentos e casas também estão na mira dos assustados argentinos. As consultas para negócios nas imobiliárias cresceu 30%, e o número de reservas para compra de imóveis, 8%.
O dólar é artigo cada vez mais raro. Na sexta-feira, os bancos não vendiam a moeda norte-americana. Ontem não foi diferente. E a maioria das casas de câmbio não tem mais dólares para vender.
De 12 casas consultadas pela Agência Folha, apenas duas ainda vendiam dólares, nunca a uma taxa inferior a 1,27 peso por US$ 1. Não é difícil ouvir histórias de pessoas que chegaram a pagar 1,80 ou mesmo 1,90 peso para comprar um dólar.
A migração dos recursos que ficaram retidos nas contas bancárias pelo limite de saques tem crescido. Somente na última quarta-feira, os argentinos transferiram mais de US$ 200 milhões dos depósitos em pesos para depósitos em dólares.
''A desvalorização que o mercado produz atualmente é irreversível. A Argentina precisa de que o governo assuma um câmbio realista. Tem de desvalorizar'', diz o economista da consultoria Espert & Associados, José Luis Espert.

Nas casas de câmbio do Uruguai, a desvalorização do peso argentino é bastante acentuada a moeda era vendida ontem por US$ 0,50.
''A tendência é os argentinos, assim que puderem, transferirem seus depósitos para o Uruguai. Ninguém quer mais surpresas desagradáveis'', diz Espert.

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