Buenos Aires- O governo da presidente Cristina Kirchner garantiu ontem ao Brasil que o País poderá contar com 3 milhões de toneladas de trigo para o primeiro semestre deste ano. O anúncio foi realizado à imprensa brasileira na capital argentina pelo secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Ivan Ramalho, que reuniu-se com representantes do governo argentino durante o encontro da Comissão de Monitoramento do Comércio Bilateral.
Segundo ele, a garantia são os registros já realizados para exportação desse volume de trigo argentino para o mercado brasileiro. Nas últimas semanas o trigo argentino foi o pivô de conflitos, já que o governo Cristina havia fechado temporariamente o registro de exportações. O motivo dessa medida era a intenção de redirecionar o produto para o mercado interno argentino, e assim, forçar uma queda do preço e reduzir a inflação, que tornou-se o maior pesadelo que a atual administração herdou do governo anterior, do marido de Cristina, o ex-presidente Néstor Kirchner.
Ramalho destacou que o Brasil pediu regularidade no envio do trigo ao governo Cristina. ''O Brasil precisa conseguir quantidades extraordinárias de trigo argentino'', explicou. O secretário-executivo afirmou que no ano passado ocorreram interrupções no registro de exportadores, fato que ''gerou instabilidades'', especialmente nos preços no Brasil.
Ramalho destacou que mais além da garantia de 3 milhões de toneladas para o primeiro semestre, ''existe a possibilidade'' de que a Argentina possa atender as expectativas brasileiras no resto do ano. Só em janeiro deste ano já entraram 800 mil toneladas de trigo argentino no território brasileiro. Caso ocorram novos percalços com o trigo Made in Argentina, Ramalho sustentou que os importadores brasileiros contariam com a possibilidade de trazer trigo de países como o Canadá.
O Brasil consome 10 milhões de toneladas de trigo por ano. Do total, o mercado brasileiro importa cerca de 6 milhões de toneladas. A Comissão também discutiu o regime automotivo. Segundo Ramalho, em março será realizada uma reunião no Brasil para analisar o assunto. O secretário-executivo afirmou que o Brasil deseja que o próximo regime não seja de apenas um ano de duração, mas ''um período maior'', de forma a proporcionar ao setor ''mais estabilidade'' para que os investimentos ''possam fluir''.
Além disso, Ramalho destacou que o comércio bilateral Brasil-Argentina bateu todos os recordes históricos em 2007 ao chegar a US$ 24,8 bilhões. A expectativa, afirmou, é que em 2008 alcance a faixa dos US$ 30 bilhões. Quando o Mercosul começou, em 1991, o comércio bilateral era de apenas US$ 1 bilhão.

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