Argentinos dizem que exceção só adia o problema
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sexta-feira, 04 de abril de 1997
France Presse 
BUENOS AIRES - Legisladores, empresários e economistas argentinos criticaram ontem o governo do Brasil por impôr a lei do mais forte no Mercosul e advertiram que o acordo para deter as medidas contra a importação são apenas um remendo que adia os problemas de fundo.
O jornalismo especializado também levantou questionamentos e considerou que o conflito reflete a precária estabilidade do mercado comum do sul, demonstrando, mais uma vez, que quem negocia numa posição de força, sempre tem ânsia de ganhar mais, aludindo ao indiscutível peso do Brasil dentro do bloco.
No entanto, a análise de todos esses setores não excluiu a responsabilidade do governo argentino e foram os empresários, em particular Francisco Macri, dono da automotiva Sevel, quem voltou a criticar a ausência de uma política industrial e comércio ativa no país.
As chispas entre argentinos e brasileiros - temporariamente abafadas por uma trégua de 120 dias - surgiram depois da decisão do presidente Fernando Henrique Cardoso de acabar com o financiamento das importações de curto prazo, o que colocava em risco a maioria dos exportadores locais.
O Brasil se transformou no principal mercado exportador argentino e são inúmeras as vozes que advertem sobre a dependência do Brasil por parte da economia argentina e, principallmente, sobre os estragos que ocasionaria um efeito caipirinha, produto de uma eventual desvalorização do Real.
Em Wall Street está fixada a idéia de que o Brasil pode aplicar uma desvalorização e ocasionar uma crise financeira nos mercados emergentes, disse o jornal Clarín, em seu Panorama Empresarial, e afirmou que os choques entre Buenos Aires e Brasília provocan insegurança e falta de credibilidade no Mercosul junto aos investidores.
O jornal assinalou que, durante o conflito, Buenos Aires ratificou sua vontade política de defender o bloco e que isso ficou demonstrado na proposta feita pelo ministro da Economia, Roque Fernández, ao presidente Carlos Menem, que a aceitou.


