Argentinos chegam para fazer parcerias
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terça-feira, 11 de março de 1997
Paulo Pegoraro, Sucursal de Cascavel 
Edson MazzettoIntegraçãoComitiva argentina é recebida pelo prefeito de Cascavel, Salazar Barreiros, e empresários paranaensesUma comitiva de representantes governamentais e empresários da Argentina chegou ontem a Cascavel, onde permanecerá até hoje, para estabelecer parceria com o município e empresários locais, para investimentos no setor industrial. Os integrantes da comitiva representam organizações com potencial de investimento próximo a US$ 100 milhões, principalmente no setor de alimentos. Eles também querem implementar intercâmbio cultural, sob a perspectiva de que breve não haverá fronteiras entre Brasil, Argentina e outros países que integram o Mercado Comum do Sul.
Os argentinos são liderados por Carlos Alderette, chefe de Gabinete do governo da cidade de Buenos Aires, e com ele estão representantes de empresas de organizações que atuam com aproveitamento integral de soja, pescados, frutas, óleos comestíveis, papéis, panificação, calçados, equipamentos hospitalares e até mesmo urnas funerárias. Depois de uma reunião com o prefeito Salazar Barreiros (PPB), eles iniciaram encontros setoriais com empresários locais, na Associação Comercial e Industrial, discutindo objetivamente a possibilidade de integração comercial.
Segundo Carlos Alderette, o Mercosul não pode se limitar ao eixo São Paulo-Buenos Aires, e pequenos e médios empresários podem ocupar espaços, em meio aos grandes. Alderette observou que na Província de Misiones - na fronteira com o Paraná, e distante mil quilômetros de Buenos Aires -, há uma população consumidora de apenas 740 mil habitantes (na cidade de Buenos Aires, 4 milhões), e os empresários vão percebendo que estão bem mais próximos de um mercado muito mais amplo que o nosso próprio, o Paraná (a 300 quilômetros de Posadas, capital de Misiones), e com quase 9 milhões de habitantes.
Por isso, eles têm interesse em instalar indústrias preferencialmente na região paranaense de fronteira, dotados de boa infra-estrutura, como Cascavel. José Daloisio, diretor de uma empresa quefaz aproveitamento integral de soja, quer lançar um pó micromoído e com sabor, com tecnologia suíça, para produção de leite, com investimento de US$ 40 milhões em uma indústria. Marcelo Rodrigues, de uma empresa de salgadinhos (chips) e similares, pode investir até US$ 15 milhões em uma indústria que ampliará a penetração de seus produtos no Brasil - onde já atende quinze mil clientes -, e chegar a um faturamento mensal de US$ 3 milhões.
Os argentinos disseram que não estão em passeio, nesta visita, porque querem resultados práticos, inclusive com associação de capitais com investidores locais, e formalização de apoio da prefeitura e outros organismos. Daniel Alfonso, também da área alimentícia, observou que todos devem perceber que o Mercosul é uma realidade objetiva. Alfonso comparou o Mercosul a um trem, que passa na frente da casa de uma pessoa, que acorda pela manhã e fica surpresa, porque não havia trilhos ali até o dia anterior. Não há que ficar discutindo se antes não havia trilhos; é preciso embarcar no trem, finalizou.


