A criação de mecanismos temporários e excepcionais de salvaguardas no comércio entre Brasil e a Argentina, mesmo que ainda não tenham sido definidos como e quando serão implementados, foi bem recebida por empresários argentinos. O ex-secretário argentino de Comércio Exterior e atual executivo da Fundação BankBoston Argentina, Felix Peña, disse à Agência Estado que o comunicado dos ministros divulgado ontem em São Paulo mostra uma mensagem inequívoca de que o Mercosul ''continua de pé, aberto ao mundo e ainda com o espírito de união aduaneira''.
Indagado se as salvaguardas feriam a estrutura de área de livre comércio do bloco e se beneficiavam apenas a indústria argentina, Peña disse que esse mecanismo será apenas pontual e servirá para que os principais parceiros do bloco enfrentem as disparidades de seus regimes cambiais. ''As diferenças no regime monetário têm prejudicado mais a Argentina do que o Brasil e o ministro Pedro Malan parece ter concordado. Por isso, o mecanismo de salvaguarda será bom para os dois países'', disse.
Peña disse ainda que o comunicado sucinto dos ministros mostra um claro reconhecimento político da necessidade de criar, a médio prazo, uma moeda única para o Mercosul.
A atual secretária de Indústria e Comércio, Débora Giorgi, ressaltou que a medida será transitória e implementada de forma excepcional para enfrentar as atuais turbulências da economia mundial. ''Ainda não identificamos os setores que serão beneficiados com as salvaguardas. Mas em duas semanas o comitê que foi criado poderá definir não só os setores como os ramos de produção que estarão protegidos por esse mecanismo'', disse Giorgi.

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