A queda recorde das vendas nos supermercados da Argentina no mês passado abafou a repercussão do expressivo recuo registrado pelo risco-país argentino no mercado internacional ontem. Os supermercados venderam 10,3% menos em outubro, em relação ao mesmo período de 2000. É o pior desempenho mensal do setor desde que Fernando de la Rúa assumiu a presidência no fim de 1999. E queda no consumo significa menor ingresso de impostos nos cofres do governo.

O risco-país caiu 6,3%, impulsionado pelo rumor de que o FMI (Fundo Monetário Internacional) estuda antecipar o desembolso de US$ 3 bilhões programado para março de 2002. Foi a maior queda em um dia desde o fim de agosto, quando o governo acertou com o Fundo a ajuda adicional de US$ 8 bilhões. O risco-país fechou em 2.775 pontos básicos.

Apesar do forte recuo, o risco-país ainda está em níveis muito elevados, os maiores do mundo. O índice aponta a perspectiva do mercado na possibilidade de um país honrar seus compromissos. Quanto mais alto, maiores as chances de um calote.

A chegada da missão do FMI, que veio analisar as contas públicas do país, também teve influência positiva no mercado. Há uma semana, o Fundo havia colocado em dúvida a vinda da missão antes do fim de novembro.

Os técnicos do FMI, liderados pelo chileno Tomás Raichmann, devem estudar o esperado pedido de ''waiver'' (perdão) do governo argentino. O déficit nas contas públicas projetado para este ano estourou a meta acertada.

O resultado negativo do governo deve superar os US$ 7,8 bilhões, quando o compromisso com o FMI previa déficit de US$ 6,5 bilhões. A diferença poderia ser uma barreira para o fundo liberar o US$ 1,26 bilhão esperado para o próximo mês.

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