Argentina volta atrás e retoma o pedágio na froteira com Foz
Mauri Konig
Agência Estado
De Foz do Iguaçu
O governo argentino criou uma nova polêmica na fronteira entre Foz do Iguaçu (PR) e Puerto Iguazú ao rever a decisão que suspendia temporariamente a cobrança de uma taxa dos turistas que entram no país. O presidente Carlos Menem havia cancelado a cobrança anteontem, exclusivamente nessa faixa de fronteira, mas voltou atrás e manteve o pedágio. Empresários brasileiros e argentinos ameaçam interditar novamente a Ponte Tancredo Neves, que liga as duas cidades. Se ocorrer, este será o terceiro bloqueio em uma semana.
A manutenção do pedágio surpreendeu empresários, políticos e a imprensa argentina. O prefeito de Puerto Iguazú, Timóteo Llera, ainda comemorava a suspensão da taxa quando foi informado que o governo havia revisto a decisão. Ele deve liderar uma comissão de empresários da província de Misiones que tentará, em Buenos Aires, o cancelamento do pedágio, que havia sido suspenso pelo menos até as eleições presidenciais do próximo dia 16.
De acordo com a Câmara de Turismo de Puerto Iguazú, o fluxo de turistas na cidade caiu cerca de 70% desde o início da cobrança. A arrecadação é feita de segunda a sexta-feira das 19 às 7 horas do dia seguinte e aos sábados e domingos durante todo o dia. Táxis pagam PS$ 2, kombis e vans PS$ 3 e ônibus com até 25 passageiros pagam PS$ 5 (acima desse número o valor sobe para PS$ 10). O peso argentino está cotado a R$ 1,93 em Foz do Iguaçu.
As importações brasileiras procedentes da Argentina via Foz do Iguaçu (PR) caíram 40%, em média, desde o início do mês em razão das sucessivas desavenças entre os dois países. O cálculo é da Associação dos Despachantes Aduaneiros (Adafi), que atribui a forte retração do setor à burocracia que onera a carga e à apreensão gerada entre importadores e exportadores por causa das recentes dissensões entre os dois principais sócios no Mercosul.
Desde a abertura da economia brasileira, no Governo Collor, a balança comercial nessa estreita faixa de fronteira sempre pendeu mais em favor dos argentinos. Exportações de frutas, doces, biscoitos, algodão, alho, arroz, cebola, batata, feijão, azeitona e veículos são as principais responsáveis pela vantagem argentina nesse comércio bilateral. Balanços da Receita Federal revelam que o Brasil importa por Foz do Iguaçu quatro vezes mais do que exporta para aquele país.
Em 1997, as importações procedentes da Argentina somaram US$ 645 milhões, contra US$ 162,7 milhões de exportações. No ano seguinte, importou-se US$ 701 milhões e exportou-se US$ 159,7 milhões. Essa média teve pouca alteração nos primeiros oito meses deste ano. De janeiro a agosto, as importações que cruzaram a fronteira pela Ponte Tancredo Neves, entre Foz e Puerto Iguazú, alcançaram US$ 267,9 milhões, enquanto as exportações se limitaram a US$ 97,9 milhões já considerando a desvalorização do real frente ao dólar.
Qualquer medida macroeconômica adotada pelo Brasil ou pela Argentina tem seus reflexos extensivos à fronteira entre Foz e Puerto Iguazú. O presidente da Adafi, Mario Alberto de Camargo, salienta que nem todas as importadoras conseguem resistir aos constantes solavancos econômicos. Há casos de despachantes aduaneiros que só nos últimos dois anos perderam 30% da carteira de clientes.





