A Argentina voltou a preocupar os mercados ontem, causando nova disparada do dólar à tarde. O comercial fechou cotado na venda a R$ 2,053, com alta de 0,59%. Com esse avanço, pela primeira vez neste mês a moeda contabiliza valorização acumulada, de 0,29%, frente ao real. Rumores de que governadores de províncias da Argentina não devem apoiar o plano de corte de gastos públicos proposto pelo novo ministro da Economia, Ricardo Lópes Murphy (leia mais na página 5), e de que parlamentares também estariam contra as mudanças decretadas pelo presidente De la Rúa no regime de previdência causaram apreensão e compras de dólar para hedge.
Um grupo de parlamentares do Frepaso – um dos partidos que sustentam a aliança do presidente Fernando de la Rúa – deve apresentar nos próximos dias, na Câmara dos Deputados, um projeto de lei para derrubar o decreto de reforma da Previdência Social, assinado no início deste ano.
Além disso, o novo ministro de Economia da Argentina, Ricardo López Murphy, quer cortar entre US$ 1,2 bilhão e US$ 1,5 bilhão dos gastos públicos, mas não sabe como. Apesar da boataria, a Bolsa de Valores de Buenos Aires fechou com ligeira queda de 0,31%.
A expressiva volatilidade de 1,28% do dólar ‘‘pronto’’ ontem também estimulou arbitragens com o mercado futuro. A Bolsa de Mercadorias & Futuros registrou ontem o maior giro financeiro com contratos cambiais deste mês, de R$ 10,24 bilhões (99.671 contratos negociados), ante R$ 8,50 bilhões (82.746 contratos negociados) movimentados anteontem.
O mercado de juros seguiu o nervosismo do mercado de câmbio iniciado logo após o almoço. As taxas de juros dispararam no mercado futuro e também nas negociações com títulos emitidos pelo Tesouro, vindo a recuar parcialmente mais ao final dos negócios. Os comentários nas mesas de operação concentravam-se em Argentina, embora as preocupações com os conflitos políticos em Brasília não tenham sido abandonadas.
A partir daí, o dólar disparou e, em seguida, o índice Bovespa começou a derreter. Em Buenos Aires, também no meio da tarde, o índice Merval caía pouco mais de 2%. A Bolsa de São Paulo fechou em queda de 1,03%.
(Marisa Castellani, Silvana Rocha e Mário Rocha)

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