Argentina volta à corda bamba. Bolsa despenca 7%
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quarta-feira, 03 de outubro de 2001
Agência Folha<br> De Buenos Aires 
O presidente da Argentina, Fernando de la Rúa, afirmou ontem que não haverá desvalorização do peso e que não pensa em substituir o ministro da Economia, Domingo Cavallo, para rebater os dois principais boatos que circulavam ontem no mercado. ''Uma desvalorização teria tremendas consequências para os salários e para a economia do país'', afirmou ele, em resposta a uma declaração do líder sindical Hugo Moyano, que defendeu pela manhã a desvalorização do peso.
De la Rúa também negou um suposto pacto denunciado pelo candidato a senador oposicionista Gustavo Beliz, segundo o qual o presidente e o candidato a senador pela Aliança (a coalizão governista) Rodolfo Terragno, crítico ao governo, estariam trabalhando juntos para desvalorizar a moeda e substituir Cavallo após as eleições legislativas do dia 14.
O presidente disse que não há motivo para que lhe perguntem insistentemente sobre a permanência de Cavallo após as eleições e que o ministro está firme no cargo. Os boatos sobre a renúncia de Cavallo cresceram nas últimas duas semanas, com o agravamento da crise econômica argentina. Para muitos analistas, a presença de Cavallo no governo, vendida como uma tranquilidade para os mercados financeiros, teve o efeito oposto nos seis meses e meio em que ele está no cargo.
O aumento da desconfiança entre os investidores sobre a situação econômica da Argentina voltou a provocar fortes vendas de títulos argentinos e brasileiros, nova disparada do risco desses dois países, expectativas de rebaixamento do rating do Brasil e maior procura por hedge cambial (dólares) no mercado doméstico. Segundo o banco JP Morgan, o índice de risco país da Argentina superou o seu teto histórico de 1.755 pontos base (registrado no dia 1º de agosto) e chegou ontem a 1.756 pontos base. A Bolsa argentina registrou tombo histórico ontem, caindo 7,02%.


