Argentina vende excedente ao Brasil
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sábado, 15 de novembro de 1997
France Presse Buenos Aires 
A poucas semanas do início da colheita de trigo deste ano, a Argentina espera enviar para o Brasil a quase totalidade do saldo exportável do grão, já que os valores FOB de portos nacionais devem baixar para tornar competitiva a venda nos mercados extra-regionais, comentaram ontem as fontes do setor. As vendas ao Brasil estariam praticamente fechadas.
Apesar de reconhecer que o ajuste econômico anunciado pelo governo de Fernando Henrique Cardoso não será de graça, a atividade privada argentina interpreta que os produtos não serão afetados - em especial o trigo - por causa da forte redução que registra a produção do cereal no Brasil.
As primeiras avaliações sobre a situação do trigo local revelam que a produção média deste ciclo alcançará 80 arrobas por hectare, o que permitiria alcançar uma produção de 12,7/12,8 milhões de toneladas.
Estoque elevado Ao contrário do ano passado, os analistas privados garantem que os estoques iniciais da safra se manterão em alta, devido aos níveis alcançados pelos países do Mercosul, elevando em três pontos a tarifa externa comum, situação que deslocaria comercialmente outras nações para o Brasil.
Além disso, o valor do prêmio correspondente ao FOB argentino, em relação ao Golfo do México, deverá retroceder entre US$ 8 e US$ 12 para que a Argentina possa exportar para outros destinos, segundo fontes do mercado de grãos local.
As mesmas fontes acrescentaram que, dos quase 8 milhões de toneladas de trigo de saldo exportável, o Brasil, se mantiver o ritmo de compras da temporada anterior, deve adquirir uns 4 milhões de toneladas do cereal.
Os mesmos porta-vozes destacaram que a cifra pode elevar-se considerablemente, segundo a qualidade do grão argentino e, além disso, um melhor posicionamento para eventuais colocações extra-Mercosul. As mesmas fontes também disseram que os argentinos estão apostando na fraca qualidade do grão brasileiro, o que não procede.


