Não foram somente as companhias estatais que em uma década passaram aos domínios de grupos estrangeiros na Argentina. A venda da marca Mantecol para um grupo inglês, a ser completada nos próximos dias, será o mais novo exemplo da desnacionalização de símbolos locais.
Patenteada há mais de 60 anos por um imigrante grego, a Mantecol, uma barra de doce feita à base de pasta de amendoim e açúcar, se tornaria o principal produto da indústria de alimentos Georgalos. Por US$ 25 milhões, os filhos do fundador, Miguel Georgalos, cederão os direitos da marca à inglesa Cadbury Schweppes.
Desde 90, a maioria das empresas alimentícias da Argentina deixou de ter capital nacional. Em 94, a francesa Danone levou por US$ 240 milhões a fábrica de biscoitos Bagley. Sua principal concorrente, a Terrabusi, no mesmo ano, era adquirida pela norte-americana Nabisco. Em 95, a Schweppes comprou a fábrica de caramelos Stani.
Não resistiram nomes bem mais familiares aos brasileiros, como a confeitaria Havanna, fabricante dos alfajores homônimos -marca mais conhecida no país, à frente de gigantes como Coca-Cola-, curiosamente fundada por outro grego, Demetrio Elíades. Em março de 1998, o Exxel Group, fundo de investimento de capital norte-americano, fechou acordo com as 17 famílias detentoras da marca por US$ 85 milhões. Outro símbolo conhecido: a rede de sorveterias Freddo foi vendida em 1999 por US$ 82 milhões, também para o Exxel.
Após o processo de privatização das estatais, deflagrado no primeiro mandato de Menem (1989), os estrangeiros invadiram setores estratégicos, como telecomunicações e petroquímica.

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