Brasília – Depois de pedir apoio a Fernando Henrique Cardoso e de se reunir com quatro ministros brasileiros, o chanceler argentino, Carlos Ruckauf, anunciou ontem que a Argentina está disposta a eliminar todas as distorções e barreiras, criadas pelo governo anterior, ao comércio com o Mercosul.
O tema começa a ser tratado amanhã, em Buenos Aires, durante uma reunião de chanceleres dos quatro sócios do bloco, além do Chile e da Bolívia. Ruckauf ainda afirmou que a nova política externa argentina não deixa dúvidas de que ‘‘o Mercosul está relançado’’ e que a prioridade ao bloco é um caminho que seu país jamais deveria ter abandonado.
‘‘Vamos limpar a mesa de negociações do Mercosul das pedras atiradas nos últimos meses’’, afirmou Ruckauf, ao lado do ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Lafer, no Itamaraty. ‘‘O tema central será colocar em marcha um Mercosul que funcione adequadamente e que permita aos seus sócios buscar juntos mercados para seus produtos’’, completou.
Para salientar a intenção da Argentina de retomar o comércio bilateral, Ruckauf levou a FHC a preocupação da equipe econômica de seu país de aliviar as restrições de crédito para a importação de produtos brasileiros. Conforme informou, o assunto vem sendo tratado, por telefone, pelos ministros da Fazenda dos dois países, Pedro Malan e Jorge Remes Lenicov. Adotada pelo antigo governo, a restrição das linhas de financiamento contribuiu com a redução de 50% nas exportações brasileiras para a Argentina em dezembro, em comparação com igual mês de 2000.
BarreirasA reunião dos chanceleres em Buenos Aires terá o objetivo de preparar um encontro mais ambicioso entre os presidentes do Mercosul, do Chile e da Bolívia ainda em janeiro, também na capital argentina. A reunião deverá marcar ainda a decisão dos quatro sócios de manter a presidência temporária do Mercosul neste semestre a cargo da Argentina. A hipótese de o Brasil assumir a coordenação do bloco até junho foi rejeitada durante a visita de Ruckauf a Brasília.
Segundo Ruckauf, as barreiras criadas pela Argentina contra as importações de produtos dos sócios do Mercosul deverão desaparecer com a mudança do regime cambial do país, que, por si só, deverá disciplinar o comércio. Celso Lafer concordou com a avaliação. O novo cenário, portanto, permitiria a revogação das alterações feitas unilateralmente pela Argentina na Tarifa Externa Comum (TEC), aplicada às importações de países de fora do bloco. Da mesma forma, deverão ser anuladas as resoluções que reduziram a preferência dada a produtos brasileiros e uruguaios no mercado argentino.

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