Argentina vai renovar sua frota
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sábado, 23 de janeiro de 1999
Ariel Palácios Agência Estado 
O presidente Carlos Menem assinou ontem um decreto de necessidade e emergência que permitirá a renovação da frota automobilística. O plano, denominado Plan Canje (plano de troca), consiste na possibilidade de trocar um automóvel com mais de dez anos de idade e receber em troca até US$ 3 mil, para uso exclusivo da compra de um carro zero quilômetro.
A intenção é impedir o colapso da indústria automobilística argentina, que até antes da desvalorização do real vendia 52% de sua produção ao Brasil. No entanto, a crise brasileira e o anúncio de que a Ford suspenderia 1.430 operários apressaram o anúncio do plano, que estava na gaveta. Calcula-se que de uma produção de 450 mil unidades em 1998, as montadoras argentinas venderiam 350 mil em 1999.
A intenção do governo é evitar essa queda e aumentar as vendas em 100 mil unidades neste ano. O plano implicará emissão de um certificado, por parte do Estado, que terá um valor máximo de US$ 3 mil, que poderá ser trocado até por 20% do preço de um automóvel novo.
A proposta de trocar carros usados foi retirada, já que as montadoras rechaçaram a idéia, alegando que dessa forma, o Plan Canje não serviria para a reativação da indústria. O plano somente aceitará os automóveis de fabricação nacional.
Além de automóveis também poderão ser trocados veículos utilitários (US$ 4 mil por unidade de mais de dez anos de uso) e caminhões e ônibus (US$ 12 mil por unidade de mais de dez anos de uso).
O anúncio foi feito pelo secretário da Indústria e Comércio, Alieto Guadagni, que disse que explicou que dos 6 milhões de veículos rodando pela Argentina, 3 milhões possuem mais de dez anos de idade. Quando o plano foi aplicado pela primeira vez, em 1996, foram trocadas 22 mil unidades.
A troca de automóveis não será obrigatória, mas o governo pretende remover das ruas do país os veículos de mais de 15 anos de uso que não cumprirem as normas de segurança e ambientais.


