Argentina vai investir na área social
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segunda-feira, 27 de novembro de 2000
Agência Estado De Buenos Aires 
O governo argentino anunciou que elevará o gasto social no ano que vem. O aumento, que será de US$ 574 milhões, foi incluído na modificação do projeto de Orçamento Nacional do ano 2001. Desta quantia, US$ 275 milhões haviam sido pactados no acordo que o governo alcançou na segunda-feira passada com os governadores do Partido Justicialista (mais conhecido como Peronista) da oposição. Os outros US$ 300 milhões foram definidos neste fim de semana entre o presidente Fernando de la Rúa e seu gabinete.
Com estes fundos extras, o governo pretende implementar projetos de infra-estrutura, o desenvolvimento das empobrecidas províncias do interior, a criação de empregos temporários, obras para regiões inundadas. Estas inclusões no Orçamento serão apresentadas oficialmente amanhã, quando começará sua votação.
De la Rúa definiu o novo Orçamento como progressista. O gasto do Estado do ano 2000 para o 2001 não subirá, já que originalmente estava previsto um corte de US$ 700 milhões para o ano que vem, que fica praticamente anulado com os gastos sociais extras. O governo também retirou do projeto questões polêmicas, como a eliminação de fundos especiais para o cultivo do tabaco nas províncias do norte do país, além de ter dado marcha à ré na idéia de eliminar os subsídios aos combutíveis na Patagônia.
A centro-esquerdista Frepaso, que junto com a conservadora UCR de De la Rúa forma a coalizão de governo UCR-Frepaso, anunciou que apóia esta reformulação do Orçamento. No entanto, também anunciou que rechaça a Reforma da Previdência, que será enviada ao Congresso hoje.
A reforma da previdência implica no fim do sistema estatal de aposentadorias. Além disso, as mulheres poderão continuar aposentando-se aos 60 anos, mas somente receberão a aposentadoria integral aos 65 anos. Esta será a primeira vez que a Frepaso confronta-se à uma decisão de De la Rúa no Parlamento.
Os frepasistas estão em conversações com a oposição peronista para que juntos impeçam a Refoma. Além disso, os analistas consideram que os peronistas não perderiam esta chance de aumentar a cizânia crescente entre a UCR e a Frepaso.
A complicação na votação da Reforma da Previdência poderia indispor os integrantes da missão do FMI, cuja chegada de sua vanguarda de técnicos estava prevista para ontem à noite. A reforma é uma das exigências do Fundo para que este libere a ajuda financeira que o país precisa para evitar a suspensão do pagamento da dívida externa pública.
A chefa da missão, Teresa Ter Minassian, chegará somente na quarta-feira, afirmou o ministro da Economia, José Luis Machinea. De la Rúa admitiu que o crescimento dos gastos elevará o déficit fiscal para muito além do previsto. O déficit fiscal deste ano havia sido calculado em US$ 4,1 bilhões. Há poucas semanas admitiu-se que chegaria a US$ 6,4 bilhões. Finalmente, De la Rúa anunciou que o déficit alcançará US$ 7 bilhões neste ano e em 2001.


