Argentina vai devolver dinheiro do ''corralito''
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domingo, 24 de novembro de 2002
France Presse 
Buenos Aires Milhares de argentinos poderão receber, a partir do próximo dia 2 de dezembro, o dinheiro que estava preso no ''corralito'', um ano após o congelamento dos depósitos e com uma desvalorização de 70% em relação ao dólar.
O Fundo Monetário Internacional (FMI) exigia do governo do presidente Eduardo Duhalde uma solução para o problema do ''corralito'', que provocou uma enxurrada de ações na justiça e obstruiu o funcionamento normal do sistema financeiro argentino.
As contas liberadas a partir de 2 de dezembro representam cerca de 20 bilhões de pesos (5,7 bilhões de dólares), mas o ministério da Economia estima que apenas uma pequena parte deste valor será sacado.
Parte do dinheiro bloqueado foi depositado em dólares na poupança em 3 de dezembro de 2001, quando o então ministro da Economia, Domingo Cavallo, limitou os saques a somas mínimas. O resto do dinheiro preso no ''corralito'' está em depósitos em pesos nas contas-correntes.
Os depósitos em dólares serão devolvidos em pesos, na razão de um por um, apesar do dólar hoje estar cotado a 3,54 pesos. O governo acredita que após a corrida aos bancos e a enxurrada de ações judiciais para liberar os depósitos, a população já não está tão preocupada em sacar seus recursos em pesos, devendo deixar o dinheiro nas contas por questões de segurança, rentabilidade e confiança.
A liberação não atinge cerca de 15 bilhões de pesos em depósitos a prazo fixo, que serão devolvidos em cotas a partir de 2003. A medida foi anunciada pelo ministro da Economia, Roberto Lavagna.
''Em 3 de dezembro de 2001 foi implantada a primeira intervenção dos depósitos. Hoje (ontem) quero anunciar que, a partir de segunda-feira, dia 2 de dezembro, serão suspensas as restrições relativas às contas-correntes e poupanças, ou seja, elas passam a ser livres. Levou quase um ano para chegarmos a este ponto''.


