O Banco Mundial (Bird) aprovou ontem um empréstimo de US$ 400 milhões para a Argentina, como parte do compromisso de financiamento assumido com o país desde o pacote de resgate de US$ 40 bilhões lançado pelo Fundo Monetário Internacional, em janeiro passado.
O crédito de ajuste estrutural será usado para o desenvolvimento de programas sociais, regulamentação do seguro médico, administração de impostos e melhoras no sitema de fiscalização em cidades argentinas, indicou o Banco Mundial (BM), em comunicado.
David de Ferranti, vice-presidente do Banco Mundial para América Latina e Caribe, disse que o governo argentino adotou um enfoque ''consistente e objetivo'' para superar a crise que afeta o país há três anos e asssegurou que o Banco Mundial está peparado para contribuir com o financiamento necessário para manter os serviços sociais durante este período de ajuste.

Ontem o presidente do Banco Central (BC), Armínio Fraga, disse que recebeu do vice-ministro da Economia da Argentina, Daniel Marx, a garantia de que o acordo fechado com o Fundo Monetário Internacional (FMI) não contempla nenhuma hipótese de calote da dívida argentina. ''Não ouvi nada de diferente do que tenho visto na mídia. Não tem surpresa. Não é verdade que tenha parte escondida do acordo'', disse Fraga em entrevista coletiva concedida por telefone de seu gabinete na representação do BC no Rio de Janeiro para relatar os termos da reunião realizada anteontem à noite com Marx.

A hipótese de novas trocas da dívida argentina, entretanto, não foi descartada por Marx, segundo Fraga. ''Eles vão continuar administrando a dívida. Se possível, fazer novas operações de troca de maneira voluntária, com respeito dos contratos'', disse, lembrando que o governo argentino já vem fazendo trocas de sua dívida em mercado. ''Recentemente eles fizeram uma operação dessas com grande êxito'', comentou.

A especulação sobre a possibilidade de a Argentina promover uma reestruturação forçada de sua dívida ganhou força no mercado desde o anúncio do fechamento do acordo com o FMI. A manutenção do regime de paridade do peso argentino (currency board) também foi assegurada por Marx no encontro com a presença de Fraga, dos diretores de Política Econômica, Ilan Goldfajn, e de Assuntos Internacionais, Daniel Gleizer, e dos secretário de Política Econômica e Assuntos Internacionais do Ministério da Fazenda, José Guilherme Reis e Marcos Caramuru. ''Este foi o modelo que tirou a Argentina da hiperinflação e eles (os argentinos) optaram pela via das reformas. Sem mudanças (na paridade)'', disse Fraga, salientando que o principal objetivo do governo da Argentina, no momento, é alcançar a meta de déficit fiscal zero. ''Eles estão dispostos a enfrentar as dificuldades tendo com principal foco o déficit zero'', disse Fraga, acrescentando que a reunião de segunda-feira era para ter sido feita depois do fechamento do acordo do Brasil com o Fundo. ''Não foi possível porque eles (os argentinos) tiveram de negociar o acordo logo depois'', explicou.

O ministro argentino da Economia, Domingo Cavallo, ampliou seu poder dentro do governo do presidente Fernando De la Rúa, ao conseguir a colocação de seu braço-direito, Armando Caro Figueroa, no comando da AFIP, a Receita Federal argentina. Desta forma, o ministro controlará a arrecadação tributária de forma direta. O próprio Cavallo afirmou anteontem, ao apresentar o novo chefe da Receita.

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