Argentina terá que cortar orçamento de 2002 em 15%
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segunda-feira, 17 de dezembro de 2001
Agência Folha<Br>De Buenos Aires 
O projeto do Orçamento argentino de 2002 será apresentado hoje ao Congresso. O governo está preparado para enfrentar uma difícil batalha para a aprovação do projeto, por causa dos cortes extras exigidos pelo FMI (Fundo Monetário Internacional).
Os detalhes do Orçamento foram definidos na noite de sábado, em uma reunião na Casa do Governo, da qual participaram o presidente Fernando de la Rúa, o chefe de Gabinete, Chrystian Colombo, e os ministros Domingo Cavallo (Economia), Carlos Bastos (Infra-Estrutura) e José Dumón (Trabalho).
Os ajustes fiscais exigidos pelo Fundo enxugarão o Orçamento de 2002 em mais de 15% em relação ao deste ano, e ele deve ficar próximo dos US$ 41 bilhões. O governo teria decidido não eliminar o décimo terceiro salário de funcionários públicos e aposentados, devido à dificuldade de a medida ser aprovada.
O FMI exigiu fortes ajustes no Orçamento para liberar o desembolso de US$ 1,26 bilhão, que era esperado pelo governo para este mês. Cortes maiores seriam necessários para o governo conseguir cumprir a política de déficit zero (gastar apenas o que arrecada) prometida para 2002.
O Pami (órgão de assistência médica a aposentados e pensionistas) deve ser sacrificado, tendo de diminuir o número de funcionários ao nível de dezembro de 2000.
O corte nos salários de funcionários públicos e aposentados, que foi de 13% em julho, poderia aumentar para 21% em 2002. Mas essa possibilidade já foi rechaçada por deputados da oposição e da base governista.
O governo, que vem negociando com lideranças e governadores da oposição há dias, luta para que o Orçamento seja aprovado ainda nesta semana. A intenção do governo é que o caso argentino seja discutido na última reunião do Fundo deste ano, no dia 21.
Do contrário, as chances de liberação do desembolso neste ano vão por água abaixo. Sem o desembolso, o país fica sem recursos para pagar os vencimentos da dívida nas próximas semanas, e pode entrar em ''default'' (calote).
O senador justicialista Jorge Yoma vê problemas para se aprovar o Orçamento de forma tão rápida. ''O governo deveria ter mandado o Orçamento em 30 de setembro e agora acredita que em uma semana o debateremos e o aprovaremos.'' Para a Fundação Capital, sem o Fundo, o país entraria em ''default''.
Dois grupos dentro do governo já trabalham com calendários para a dolarização da economia como forma de se sair da crise político-econômica, segundo informação do jornal ''Clarín''. O primeiro, formado pelos mais otimistas, dentre os quais estaria Cavallo, acredita que a dolarização deva ser efetivada no fim de fevereiro, depois de encerrada a reestruturação da dívida externa. Para o segundo grupo, a economia do país terá de ser dolarizada antes do fim do ano.


