No próximo dia 9 será realizada uma greve geral de 24 horas na Argentina. O anúncio foi feito ontem em Buenos Aires por Hugo Moyano. Ele é líder do sindicato dos Caminhoneiros e controla a ala dissidente da Confederação Geral do Trabalho (CGT). Em discurso para milhares de manifestantes na Plaza de Mayo, Moyano disse que ‘‘as medidas duras do governo terão respostas duras’’.
Moyano também disse que as políticas econômicas aplicadas desde 1976, quando iniciou a ditadura militar, não têm variado até agora. Para Moyano foi no governo do ex-presidente Carlos Menem que iniciou o que ele chamou de ‘‘plano de entrega’’.
A marcha de ontem, que reuniu 80 mil pessoas na Plaza de Mayo, teve apoio de 12 deputados dos 124 da Aliança, do presidente Fernando de la Rúa. Eles criticam o presidente de ter se afastado das promessas eleitorais de retificar os programas neoliberais de Menem. Para a deputada Elisa Carrió, da União Cívica Radical (UCR) ‘‘em alguns casos o governo está fazendo o contrário do que prometeu’’. Nesta mesma linha segue o deputado socialista Jorge Rivas. Para ele, ‘‘não se pode jogar nas costas do povo o peso da recuperação econômica’’.
Ontem, o ministro da Economia da Argentina, José Luís Machinea, afirmou que o governo não está revisando as metas de déficit fiscal com a missão do FMI (Fundo Monetário Internacional) que está no país. ‘‘Cumpriremos com o objetivo de ter um déficit de US$ 4,7 bilhões até o final do ano’’, disse o ministro em entrevista coletiva após se reunir com 500 empresários e investidores argentinos na Bolsa de Valores de Buenos Aires.
Caso a Argentina cumpra essa meta de déficit, o país continuará a ter acesso a cotas de um montante de US$ 7 bilhões, colocado à disposição pelo FMI. No entanto, apenas até abril, o déficit fiscal já chegava a US$ 2,63 bilhões, muito próximo à meta para todo o primeiro semestre, de US$ 2,69 bilhões. O resultado fiscal de maio deve ser divulgado nos próximos dias, mas ainda não refletirá os resultados do ajuste fiscal, anunciado segunda-feira.
A missão do FMI – alvo dos protestos de hoje –, que está na Argentina para verificar se o país está em condições de cumprir as metas de déficit fiscal, ainda não divulgou nenhum comunicado sobre a situação do país. Ontem, eles passaram o dia reunidos com integrantes da equipe econômica.
Machinea, que adiou para domingo viagem que faria para os Estados Unidos ontem, insistiu novamente que não haverá mudança no câmbio: ‘‘Não podemos, não queremos e não iremos alterar a política de conversibilidade (1 peso valendo US$ 1)’’. Segundo ele, o país não precisa passar por traumas causados pela desvalorização, como ocorreu no México.
O que a Argentina necessita é de equilíbrio fiscal, de acordo com o governo. Mas a herança deixada pelo governo do ex-presidente Carlos Menem e o contexto internacional, com a elevação da taxa de juros nos EUA, está atrapalhando a retomada do crescimento do país, disse o ministro. Por esse motivo, o governo quer tentar implementar um plano que incentive o investimento privado na infra-estrutura do país. Em troca, os investidores receberiam direito a uma concessão por um tempo determinado.

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