Buenos Aires - Desanimado, o ministro da Economia, Roberto Lavagna, partiu ontem à noite para Washington, onde se reunirá hoje com integrantes do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do governo dos Estados Unidos. Lavagna terá a dura missão de convencer o Fundo de que permita a rolagem da dívida que possui com os organismos financeiros em 2002 e 2003, no total de US$ 18 bilhões.
O ministro sequer pedirá dinheiro fresco para a Argentina. Mas a expectativa em Buenos Aires é que a única coisa que Lavagna conseguirá do Fundo será um número maior de exigências por parte do organismo financeiro, além da cobrança das medidas prometidas, embora ainda não cumpridas pelo governo do presidente Eduardo Duhalde.
Lavagna deixou um país em plena turbulência. Ontem, o dólar continuou sua escalada, chegando à cotação de 3,82 pesos nos bancos. As ruas da city financeira portenha fervilhavam de pessoas desesperadas para adquirir dólares. Nas casas de câmbio, depois de ter atingido 4,00 pesos no meio da tarde, o dólar terminou o dia em 3,95 pesos. Em algumas cidades do interior, o dólar chegou à cotação de 4,15 pesos.
Alberto Camarassa, diretor do Banco Central, tentou acalmar os argentinos, afirmando que a atual cotação do dólar ‘‘não corresponde à realidade’’. O BC teve que intervir, colocando US$ 75 milhões no mercado cambial, para conter o dólar. Para o chefe do gabinete de ministros, Alfredo Atanasof, a alta do dólar é o resultado ‘‘das pressões dos especuladores’’, que tentam ‘‘desestabilizar’’ o governo Duhalde.
Atasanof sustentou que assim que a Argentina conseguir um acordo com o FMI, o dólar voltará a níveis inferiores aos atuais.
Mas fora da Casa Rosada, não existem grandes expectativas de que o acordo com o Fundo poderia ocorrer em breve, causando desta forma, o prolongamento da agonia argentina. Sobre a viagem de Lavagna aos EUA pairam previsões de fracasso. Em Buenos Aires, considera-se que será difícil que o ministro poderá voltar da capital americana com algo consistente, o que permitiria acalmar os mercados.
Esta percepção aumentou mais ainda depois das declarações do vice-diretor para a América Latina do Banco Mundial, David De Ferrantis. Segundo ele, ‘‘os problemas na Argentina são muito profundos e é preciso muito tempo para encontrar-lhes uma solução’’. Mas a observação que causou calafrios no governo argentino e no setor financeiro foi a de que ‘‘as negociações entre a Argentina e o FMI vão demorar’’.

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