Argentina tenta minimizar declarações de Cavallo
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sábado, 27 de outubro de 2001
Das Agências<br> De Buenos Aires 
''É só uma questão de tempo. Quando ele sair, tudo volta à normalidade''. O ''ele'' refere-se ao ministro da Economia, Domingo Cavallo, enquanto que a ''volta à normalidade'' refere-se à saída da nova crise que o Mercosul está vivendo e que foi criada na sexta-feira pelo polêmico ministro. Esta frase foi frequente nos âmbitos diplomáticos, empresariais e governamentais neste fim de semana em Buenos Aires.
O secretário-geral da presidência da República, Nicolás Gallo, tentou minimizar as declarações de Cavallo: ''o Mercosul está claramente definido como uma política de Estado. Mas às vezes existem umas pequenas...asperezas, que se resolvem dentro do marco comercial. Os dois países possuem um destino conjunto''. Segundo Gallo, ''o presidente De la Rúa compreende que Cavallo compreende que o Mercosul é uma política de Estado''.
Na sexta-feira Cavallo fez declarações contra o regime cambial do Brasil. ''Está esgotado este modelo de associação comercial com países que fazem o que querem com suas moedas'', disse Cavallo. Pouco depois, exclamou: ''claro que me refiro ao Brasil''. Indignado com o ministro, o governo brasileiro suspendeu as negociações por um prazo indeterminado.
Durante as reuniões na Chancelaria, o lado argentino apresentou um relatório afirmando que enquanto que entre 1996 e 1998 a balança comercial foi favorável à Argentina em US$ 471 milhões, desde a desvalorização do real, em 1999, a balança foi deficitária para este país em US$ 1,82 bi.
Um dos diplomatas envolvidos nas negociações fez uma metáfora ao Estado: ''Cavallo é a sogra do casamento entre o Brasil e a Argentina. 'Ela' está de visita na casa deste casal por algum tempo, causando brigas e quase nos levando ao divórcio. Mas esta 'visita' está acabando e já já 'ela' vai embora''.
O presidente do Grupo Brasil, Elói Rodrígues de Almeida, analisou para o Estado o atual panorama: ''a situação é critica. Ela já vinha complicada. Segundo Almeida, em um eventual agravamento da crise, ''quem pode perder mais, na realidade, não é o Brasil, mas a Argentina.''
O governo argentino pretende anunciar hoje seu esperado pacote de medidas econômicas com as quais tenta reverter um quadro de mais de três anos de recessão. ''Vamos trabalhar durante todo o dia (ontem) e amanhã (hoje) serão feitos os anúncios'', afirmou ontem a ministra do Trabalho, Patricia Bullrich.


