Argentina teme entrada de máquinas agrícolas do Brasil
Ariel Palacios
Especial para Agência Estado
Buenos Aires
Mais um setor industrial argentino está reclamando da concorrência brasileira: desta vez, são as indústrias de máquinas agrícolas, que sustentam que as colheitadeiras provenientes do Brasil estão entrando no país com um preço em média 30% abaixo do normal.
O alerta foi feito pela CAFMA, a associação que reúne as indústrias do setor, que os preços das colheitadeiras de oito sulcos made in Brazil caíram de US$ 117.640 no ano passado, para US$ 76.500 neste ano. O preço da máquina argentina é de US$ 100 mil.
A chegada dos produtos brasileiros encontra as indústrias argentinas em grave crise: ao longo de 1999, a produção caiu entre 20% e 30%. E as fábricas trabalham com ociosidade.
Os empresários do setor pedem ao governo que seja aplicado um plano de renovação da frota de máquinas agrícolas. O plano existe, mas somente proporciona 10% do custo de uma nova máquina, o que é considerado insuficiente. Para complicar o panorama, os créditos para a compra de novas máquinas possuem taxas de juros ao redor de 12%. O sombrio panorama argentino também está causando o êxodo industrial ao Brasil, onde o mercado é mais amplo, e a mão de obra é mais barata.
Na província de Santa Fé, existem 42 indústrias de máquinas agrícolas, das quais 15 planejam mudar para o Brasil. No governo provincial, consideram que se a tendência continuar, em dois anos todas as empresas do setor terão partido para o Brasil
Repercussão O presidente da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), Luiz Carlos Delben Leite, afirmou ontem que desconhecia a reclamação dos fabricantes de máquinas agrícolas da Argentina.
As indústrias brasileiras do setor sempre tiveram participação ativa no mercado argentino, afirmou. Leite observou que as máquinas exportadas para aquele país atendem às expectativas dos produtores quanto à qualidade. Nossas indústrias adequaram seus produtos ao solo argentino.
Quanto à queda dos preços, Leite disse que isso é resultado da desvalorização cambial do real frente ao dólar. Além deste fator, as indústrias vêm conseguindo ganhos de produtividade, com redução de seus custos e gestões mais modernas, comentou.
O presidente da Abimaq observou ainda que os preços praticados pela indústria nacional no mercado externo são os mesmos para todos os países importadores. Não tem por que estipular um preço diferente para a Argentina, comentou. Leite disse que ainda é cedo para tomar qualquer medida de proteção ao setor brasileiro.
Segundo Leite, o Mercosul é responsável por 26% das exportações do setor de máquinas e equipamentos em geral do Brasil.(Guto Rocha)





