São Paulo - A Argentina está próxima a anunciar uma proposta no mínimo polêmica aos credores de sua dívida para sair do default. De acordo com o jornal ‘‘Clarín’’ deste domingo, o Ministério de Economia vai apresentar três opções de refinanciamento com prazos que chegam a 30 anos e, até 2006, não seria desembolsado nenhum tostão. E mais, a Argentina quer uma redução de 80% da dívida.
  Uma fonte do Ministério de Economia teria dito ao jornal que o programa para sair do default ainda não está finalizado, razão pela qual não poderia dar mais detalhes da proposta que será levada aos credores. Mas, diz o ‘‘Clarín’’, a fonte informou que ‘‘a Argentina vai pedir a maior redução da história econômica internacional’’. Por isso, segundo a reportagem, o governo argentino estaria ciente de que as negociações, que deverão ser iniciadas em setembro, ‘‘serão longas e difíceis’’.
  Em 1998, lembra o principal jornal argentino, a Rússia negociou sua dívida com uma redução de 33% a 38% e pediu seis anos de carência. Um ano depois, o Equador pediu uma redução entre zero e 60%, com 12 anos de carência.
  A redução de 80% seria solicitada em cima de US$ 98 bilhões, montante no qual estão incluídos bônus em default mais os empréstimos que têm em sua carteira os bancos locais. Essas obrigações - caso a proposta venha a ser aceita pelos credores privados - ficariam reduzidas a apenas US$ 19,6 bilhões, com uma redução US$ 78,4 bilhões. Assim, o total da dívida, incluindo os Boden e as obrigações com o Fundo Monetário Internacional (FMI) e outros organismos multilaterais de financiamento, somariam US$ 80 bilhões.
  O ‘‘Clarín’’ informa ainda que o governo do presidente Néstor Kirchner trabalha com outras alternativas, já que, para fazer uma proposta aos credores, seria necessário chegar antes a um acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI).

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