São Paulo – O governo argentino admitiu pela primeira vez que mais da metade da população já caiu abaixo da linha da pobreza, vitimada pela crise econômica, a inflação e o desemprego. Pesquisa do Siempro (órgão que levanta estatísticas sociais para a Presidência da República) mostrou ontem o que consultorias privadas já haviam antecipado: há 18,2 milhões de pobres no país, ou 51,4% da população. Desses, 7,8 milhões de pessoas –22% dos argentinos– são indigentes.
De acordo com o Indec (o IBGE local), são pobres as famílias de quatro pessoas com renda mensal inferior a 626 pesos (US$ 168). Indigentes são as famílias que ganham menos de 266 pesos (US$ 71). O salário médio no país é hoje de 569 pesos (US$ 153). Ou seja, abaixo da renda necessária para escapar da pobreza.
Outro dado alarmante mostra que a pobreza está concentrada entre os mais jovens. A pesquisa indica que vivem na pobreza 66,6% dos menores de 18 anos, ou 8,3 milhões de pessoas.
O governo também está assustado com o ritmo de crescimento da miséria. Durante a década de 90, o índice de pobres saltou de 12% para 30% da população. Em 2001, quando a crise econômica se acentuou e o país foi obrigado a decretar a moratória da dívida pública, a pobreza superou pela primeira vez o patamar de 40% dos argentinos. E, apenas nos cinco meses deste ano, a inflação gerada a partir da desvalorização cambial e o crescimento do desemprego (para o índice recorde de 25% dos trabalhadores) fizeram a pobreza quebrar nova barreira, a de 50% dos argentinos.
Em meio a esse cenário de pobreza e desesperança, a Argentina também começa a experimentar fenômeno já identificado no Brasil há alguns anos: o crescimento das igrejas evangélicas. Segundo o jornal ‘‘La Nación’’, a Igreja Universal do Reino de Deus, do bispo Edir Macedo, foi o culto religioso que mais cresceu nos últimos anos na Argentina, um país historicamente católico.

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