Argentina taxa em 20% o açúcar brasileiro
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 13 de março de 2003
Agência Estado 
Buenos Aires Os deputados transformaram em lei a proteção ao açúcar argentino, derrubando o veto do presidente Eduardo Duhalde às sobretaxas ao produto importado. A criação da taxa em 20% afeta diretamente o açúcar brasileiro e foi aprovada sem dificuldades e com os dois terços exigidos do total de 257 deputados.
O argumento dos parlamentares das províncias argentinas produtoras de açúcar - Tucumán, Salta e Jujuy - é o de que o governo brasileiro concede subsídios ao produto nacional. A decisão dos deputados estava prevista - o Senado já havia dado seu aval.
Promessa - Na segunda-feira, em visita a Buenos Aires, o ministro da Agricultura do Brasil, Roberto Rodrigues, reclamou da medida às autoridades do país vizinho. O ministro da Produção, Aníbal Fernandez, chegou a prometer a Rodrigues que conversaria com a base governista na Casa para adiar a votação até que o setor privado dos dois países negociasse um acordo.
Tudo indica que nada disso foi feito, pois até anteontem à tarde o resultado da votação no Senado continuava no setor administrativo da Casa. Quer dizer, foi enviado às pressas e sem barulho à Câmara, onde os parlamentares votaram pela proteção do produto argentino.
De acordo com o ministro da Economia, Roberto Lavagna, trata-se de ''um debate antigo. Desde 1986, o Brasil e a Argentina vêm administrando muito bem este assunto. Mas é uma questão pontual que não deve afetar o desempenho do Mercosul''.
Lembrado de que os países do bloco reclamam das barreiras impostas pela União Européia e pelos Estados Unidos e que essas diferenças sobre o açúcar podem prejudicar o Mercosul, Lavagna insistiu no seu pragmatismo: ''Não, não. Quando existe vontade política e decisão estratégica de se levar adiante uma integração, estes temas específicos não podem atrapalhar em nada. O importante é a decisão política''. Ele chegou a citar como exemplo o caso do Uruguai, que esta semana, em reunião com a Argentina, limpou a pauta de diferenças comerciais.
Com Brasil e Argentina nesta questão do açúcar, foi diferente, pois a Câmara dos Deputados transformou a barreira em lei 72 horas depois da visita do ministro brasileiro da Agricultura ao país. A decisão não quer dizer que o tema não voltará a pauta de discussões entre os dois países. Mas certamente só depois das eleições do próximo presidente argentino, em 27 de abril.


