O Serviço Nacional de Sanidade e Qualidade Agroalimentar (Senasa) decidiu suspender a venda na Argentina das salsichas brasileiras fabricadas pela Sadia. De acordo com o órgão, as salsichas estão fora do padrão declarado nos rótulos e nos documentos de exportação dos produtos. A decisão, que foi comunicada à empresa, ontem, implica também na interdição dos depósitos que a Sadia mantém no país.

A determinação do Senasa afeta as salsichas tipo viena sem pele que deveriam conter 38,7% de carne bovina, conforme declarado pela empresa, e as salsichas menores, usadas para coquetel, que deveriam contar com 29,5% de carne de vaca.


Segundo informações das autoridades fitossanitárias, a mistura de carne de frango nestes produtos estava acima do declarado pela Sadia. A empresa tem um prazo de 10 dias para justificar o fato que será analisado pelo departamento jurídico do Senasa . Depois disso, o órgão decidirá que tipo de punição aplicará.

''Esta não é a primeira vez que a empresa brasileira é sancionada por este tipo de irregularidades e isso vai pesar na hora da decisão legal sobre qual a sanção que receberá'', afirmou à AE , o assessor de imprensa Carlos Chichizola.


Em março do ano passado, a Sadia foi acusada de fraude ''devido à utilização não declarada de carne de frango na elaboração de mortadelas e de salsichas tipo viena sem pele e com pele'', conforme declara a decisão do Senasa. Ambos fatos estariam ''afetando os direitos estabelecidos pelas leis de Defesa do Consumidor e de Lealdade Comercial'', afirma o Senasa. A assessoria informou ainda que a fiscalização é permanente e que outros produtos estão sujeitos a serem suspensos.

Sadia admite A Sadia admitiu que houve um equívoco na exportação de salsichas tipo Viena para a Argentina. Segundo Roberto Banfi, diretor de vendas internacionais da Sadia, um dos lotes fabricados para o mercado interno, com 100% de carne suína, foi ''equivocadamente'' exportado para a Argentina (cerca de 5 toneladas). ''Houve troca de apenas um lote do produto'', disse o executivo. Enquanto a legislação brasileira admite que esse produto tenha ou 100% de carne suína, ou 100% de bovina ou seja uma mistura dos dois tipos de carne, a legislação argentina estipula que esse tipo de salsicha tem de ser uma mistura das carnes suína e bovina, explicou.

O executivo afirmou que a própria Sadia está recolhendo, desde quarta-feira, toda a salsicha que pertence ao lote vendido equivocadamente à Argentina. Hoje, segundo Banfi, os jornais argentinos publicarão comunicado da Sadia informando que a empresa reconhece que houve inversão de lotes, garantindo porém que o produto é absolutamente idôneo e não oferece qualquer risco à saúde. Ele afirmou, também, que tem documentos que comprovam que no Brasil a salsicha Viena é oficialmente suína, bovina ou misturada.

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