Buenos Aires - Mais do que nunca, uma missão do Fundo Monetário Internacional (FMI) está sendo aguardada com ansiedade na Argentina. O governo do presidente Eduardo Duhalde precisa desesperadamente de uma ajuda financeira que poderia afastar o país do risco de novos conflitos sociais, já que o desemprego e a pobreza se alastram rapidamente. Esta ajuda também permitiria a liberação do ‘‘corralito’’, como é denominado o semi-congelamento de depósitos bancários em vigência desde dezembro passado.
O vice-ministro da Economia, Jorge Todesca, anunciou ontem que a missão chegará na semana que vem e seria comandada por Anoop Singh, da Índia, que substituirá o chileno Thomas Reichmann. A designação de um novo chefe da missão - sem qualquer vínculo com a América do Sul - está sendo visto em Buenos Aires como um ‘‘endurecimento’’ do FMI com a Argentina.
O governo pretende pedir uma ajuda financeira rápida para o país. Na equipe econômica sonha-se com a possibilidade de uma ajuda entre US$ 10 bilhões e US$ 20 bilhões. No entanto, para começar, pedirá aos representantes do Fundo que o organismo financeiro entregue de forma urgente os US$ 1,26 bilhão, cuja remessa à Argentina está pendente desde dezembro passado, e que ainda não foi efetivada. ‘‘Estamos à beira do caos social’’, seria o argumento utilizado.
Na Casa Rosada, a sede do governo, e no vizinho edifício do Ministério da Economia, torcem-se os dedos, na esperança de que os enviados do FMI contentem-se com o recente acordo financeiro com os governadores, uma velha exigência do organismo internacional.
Outra exigência, que está em andamento, é a aprovação do Orçamento Nacional. O projeto foi aprovado nesta semana pela Câmara de Deputados, e nos próximos dias seria debatido pelo Senado.
No entanto, o Fundo Monetário está desconfiado, após vários anos de uma miríade de promessas feitas, embora nunca cumpridas. Por este motivo, a idéia do governo é oferecer ao FMI um cronograma em que por cada reforma econômica implementada, o dinheiro à Argentina seja entregue.
A equipe do ministro da Economia, Jorge Remes Lenicov, quer que novo programa com o FMI tenha uma duração de dois anos.
Arrecadação - Ao desembarcar em Buenos Aires, o FMI se deparará com a dura realidade de que o governo argentino cada vez possui menos capacidade de auto-financiar-se. Ontem o Ministério da Economia informou que a arrecadação tributária em fevereiro despencou 20,3%, em comparação com o mesmo mês do ano passado.
O Imposto de Valor Agregado (IVA) - o melhor tributo para medir a saúde do consumo dos argentinos - caiu 19,4% em relação a fevereiro de 2001.

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