Argentina se prepara para 'dolarizar'
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quinta-feira, 18 de outubro de 2001
Agência Estado<br> De Buenos Aires 
''Não é preciso fazer uma dolarização obrigatória da economia, já que atualmente uma dolarização é possível e voluntária''. Com estas palavras, pela primeira vez, o presidente Fernando de la Rúa referiu-se ao debate sobre a dolarização da economia argentina, que mais uma vez voltou a ser o centro das atenções.
Em declarações ao ''The Economist'', De la Rúa afirmou que a moeda argentina não será desvalorizada, e sustentou que se tivesse que escolher entre desvalorizar e dolarizar, ''é pior desvalorizar''.
O presidente argentino argumentou que a economia do país já está ''dolarizada em grande parte''. Vítimas de mais de 30 anos de políticas econômicas erráticas e de duas hiperinflações (1989 e 1991), os assustados argentinos estão acostumados a salvar suas economias em dólares e a de desconfiar da moeda local. Por esse motivo, 67% dos depósitos bancários argentinos estão na moeda americana.
Além disso, 70% dos empréstimos estão em dólares, bem como 80% dos créditos hipotecários. Como se fosse pouco, quase toda a dívida externa pública está na moeda americana. No entanto, os dólares não circulam no dia a dia dos argentinos, já que ficam guardados.
''Não podemos desvalorizar, já que os salários estão em pesos e as dívidas em dólares. Acabaríamos causando a falência das pessoas. Se a moeda desvalorizasse tanto poderia ser 30% ou 100%, ou mais. Seria altamente perigoso'', sustentou o economista do BID, Guillermo Calvo.
Nos últimos dias o governo começou a analisar a possibilidade de que os argentinos possam pagar os impostos e serviços públicos em dólares. A intenção é colocar os dólares em circulação, e preparar a população para a eventualidade de uma dolarização.


