Argentina rompe 'cessar-fogo' e investiga concorrência desleal
Agência Estado
De Buenos Aires
Quando parecia que as turbulências comerciais entre Brasil e Argentina haviam acalmado e que haveria uma trégua dos dois lados até o fim do ano momento em que tomará posse o novo governo argentino mais uma vez surgem trocas de denúncias de dumping e concorrência desleal.
Mais uma vez, o tiro que rompeu o cessar-fogo partiu da trincheira argentina: a Secretaria de Indústria e Comércio deste país anunciou que investigará as denúncias de dumping nas operações de exportações à Argentina de chapas de aço a frio provenientes de Brasil e Rússia. A Secretaria declarou que serão investigados os produtos planos de ferro e aço, sejam laminados a frio ou temperados, com espessura superior a 0,3 milímetros, e de dureza superior a 85 HRB (Hardness Rockwelll B).
Segundo a Comissão Nacional de Comércio Exterior, existem suficientes alegações de danos com provas que justificam o início de uma investigação. A Secretaria de Indústria e Comércio anunciou que as denúncias de concorrência desleal resultaram na análise da informação existente, que indicariam que o dumping iria de 7,37% até 22,73% no caso das chapas de origem brasileira, e de 73,44% no caso da chapas provenientes da Rússia.
A partir de 60 dias da publicação desta resolução no Diário Oficial, a Alfândega argentina terá de exigir o certificado de origem dos carregamentos que cheguem dos dois países suspeitos. Analistas consideram que a aplicação de medidas antidumping, em outros momentos políticos, poderiam levar meses e até anos. No entanto, no atual contexto onde o governo está de partida e tenta agradar os empresários antes de deixar o poder, estas medidas poderiam ser aplicadas em tempo recorde.
As denúncias de dumping foram realizadas pela empresa Siderar, do poderoso e influente Grupo Techint. Há duas semanas, o presidente da empresa, Roberto Rocca, deu um sinal de poder, quando causou comoção ao tornar-se o primeiro empresário a afirmar que o próximo governo teria que terminar com a paridade um a um entre o peso e o dólar.
No início do ano, o governo argentino já havia estabelecido cotas temporárias para a entrada de chapas a quente provenientes do Brasil, sob a acusação de dumping. Além de uma cota, o preço estabelecido para a entrada das chapas do Brasil (US$ 410 a tonelada) superava às das próprias chapas argentinas, fato que causou irados protestos do Itamaraty.





