Argentina 'rola' dívida e traz alívio aos mercados
Os mercados reagiram positivamente à megatroca de bônus de curto prazo por outros de longo prazo anunciada oficialmente neste domingo. Ontem, a Bolsa de Buenos Aires fechou em alta de 1,82%. A taxa de risco do país, que nas últimas semanas havia oscilado ao redor de 1.000 pontos, no fim do dia havia retrocedido para 950 pontos.
No domingo à noite, acompanhado pelo presidente Fernando de la Rúa, o ministro da Economia, Domingo Cavallo, anunciou os resultados de El Megacanje, denominação desta operação na Argentina.
No total, o governo aceitou US$ 29,477 bilhões, de um total de 33,3 bilhões de ofertas. Desta forma, o governo poderá adiar o pagamento de US$ 16,047 bilhões de vencimentos entre este ano e 2005. A operação também é denominada swap.
Em um comunicado, o FMI afirmou que a megatroca foi um sucesso e destacou a participação de investidores internacionais. Com a operação, o governo terá um alívio de US$ 3,229 bilhões nos vencimentos em 2001. Em 2002 a redução será de US$ 4,593 bilhões. Em 2003, US$ 3,127 bilhões. Em 2004, US$ 2,455 bilhões, e em 2005, US$ 2,643 bilhões.
No entanto, esta operação também aumentará a dimensão da dívida externa, que crescerá em US$ 2,25 bilhões. As taxas de juros oscilam entre 14,5% e 16%, níveis que fizeram que os analistas as definissem como exorbitantes.
Os investidores estrangeiros participaram com US$ 7,8 bilhões na operação. Além destes, US$ 18 bilhões tiveram origem em investidores locais como bancos e Fundos de Pensão, enquanto que US$ 3,5 bilhões foram trocados pelos bancos estatais argentinos.
O vice-ministro da Economia, Daniel Marx, relativizou as altas taxas de juros, afirmando que são as do mercado. Marx disse que a mega-troca possibilitará uma menor pressão no pagamento da dívida durante mais um ano e meio. Segundo ele, a operação não foi espetacular, e sim, eficiente. O vice-ministro disse que com a era do fantasma do default afastada, agora temos que nos esforçar pelo crescimento da economia.
O analista econômico do BCP Securities, Walter Molano, é bastante duro em sua análise e prevê um default para o próximo governo. Ele disse que com a troca, a Argentina aumentou a possibilidade de um default e que o presidente Fernando De la Rúa hipotecou totalmente o país.





