A Argentina vive um momento similar àquele pelo qual passou o Brasil em 98. O mercado internacional começa a desconfiar da capacidade do governo de manter a paridade fixa do peso com o dólar. Ao mesmo tempo, o país está num ano de eleição presidencial, que fragilizou o governo do presidente Carlos Menem, o qual não consegue apoio político para o ajuste fiscal.
Como no Brasil do ano passado, a indústria argentina não consegue exportar, devido à sobrevalorização do peso. Analistas prevêem um aumento do déficit público, assim como no Brasil de 98. Para voltar a exportar e a crescer, os economistas consultados pela reportagem afirmaram que o país vai precisar reduzir os preços dos seus produtos em relação aos do exterior. O Brasil desvalorizou para poder obter esse ganho.
Segundo os analistas, no entanto, a desvalorização só agravará os problemas argentinos. ‘‘O fim da paridade dólar-peso provocaria uma espiral inflacionária’’, diz Luis Secco, economista-chefe do Instituto Broda. Os problemas argentinos começaram em 98, quando os preços dos principais produtos de exportação do país começaram a cair.
No mesmo período, o dólar valorizou ante a outras moedas - o peso também -, aponta Carlos Korcarz, vice-presidente da Cima Investments. Para piorar o cenário, diz Luiz Pretti, diretor-executivo do Bozano, Simonsen em Buenos Aires, o principal parceiro comercial da Argentina, o Brasil, que compra cerca de 30% das exportações argentinas, desvalorizou o real.
Nesse contexto, as expectativas de recuperação da economia argentina se deterioram, dizem os analistas. O Ministério da Economia, por exemplo, estima uma queda de 12% nas exportações argentinas em 99, o que significa menos ingressos de divisas do exterior para fechar as contas do país e menos produção interna.
O déficit comercial argentino será até menor este ano, mas devido a uma queda da demanda por produtos importados, provocada pela recessão interna. O PIB caiu nos últimos quatro semestres. O problema não se resume à balança comercial. Os investidores estão preocupados com um possível descontrole dos gastos públicos em um ano de eleições.Arquivo FolhaAlgo em comumOs presidentes Menem e FHC: em ano eleitoral, dificuldades em obter apoio político para o ajuste fiscalAgência Folha

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