Brasília - Depois de quase 10 dias, a Argentina anunciou ontem o fim do embargo às carnes brasileiras, válido desde a zero hora deste sábado. O secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Maçao Tadano, explicou que, ao contrário do acordo firmado com a Rússia, todos os Estados do País estão autorizados a vender carne para os argentinos. No acordo com os russos, o Mato Grosso ficou proibido de vender o produto por um período máximo de 12 meses. As autoridades brasileiras convenceram as argentinas, com base em argumentos técnicos, que o foco de aftosa, encontrado no Pará, não poderia contaminar as demais regiões que exportam carne.
Segundo Tadano, o prejuízo com a suspensão das exportações de carnes do Brasil para a Argentina foi muito pequeno. Como as importações pelo vizinho ficaram suspensas por apenas dez dias, não deve haver impacto no resultado da balança comercial. O comércio mais significativo é o de carne suína, que no acumulado de janeiro a maio deste ano somou 13.500 toneladas e rendeu US$ 18,5 milhões. Já as exportações de carne bovina brasileira para o mercado argentino somaram no primeiro trimestre US$ 11 mil.
No entender do governo, o embargo à carne brasileira não arranha as relações entre os dois principais parceiros do Mercosul. Tadano também descartou o ''prejuízo para a imagem'' do produto brasileiro no Exterior. ''A preocupação que fica é relacionada às boas relações com a Argentina e com o Mercosul. Nós temos que fortalecer as relações com os países da América do Sul, principalmente com a Argentina'', afirmou.
Ontem, os ministros da Agricultura do Brasil, Roberto Rodrigues, e da Venezuela, Arnaldo Márquez, se reuniram para discutir a comercialização de bovinos e material genético. Até o final do ano, os venezuelanos devem importar cerca de 100 mil cabeças de bovinos do Brasil.

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