Argentina renegocia dívida em segredo
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quarta-feira, 25 de abril de 2001
Das agências De Buenos Aires 
Ninguém fala abertamente, muito menos no Ministério de Economia, mas a equipe econômica de Domingo Cavallo está renegociando os títulos públicos que vencem a partir de 2002 até 2006 por prazos maiores de 20 a 30 anos.
Diversos economistas de bancos credores e analistas confirmam a informação que está sendo tratada sob sete chaves para que a renegociação não seja interpretada como um default, palavra proibida pelo governo.
O analista senior da Maxinver, Hernán Fardi, consultor de bancos e empresas da Argentina, confirma que o assunto está sendo discutido entre as entidades credoras e o governo de uma forma discreta para não gerar boatos e nervosismos.
Segundo ele, o maior questionamento que existe hoje em relação à Argentina é sobre o pagamento de suas dívidas a partir do ano que vem.
O problema não é 2000 porque todos sabem que o governo já conseguiu resolver seu problema de liquidez para este ano, as dúvidas são de médio e longo prazos e, por isso, faz sentido a renegociação, afirmou. Ele ressalta, entretanto, que os credores estão exigindo garantias.
Hernán Fardi classifica a jogada como inteligente porque é uma alternativa não traumática e que já foi experimentada antes. O ministro Domingo Cavallo estaria avaliando também a reprogramação das colocações de Letes (letras do tesouro) e Bontes (bônus do tesouro) que restam para este ano.
Fontes desses mesmos bancos contam que no último domingo, um dia depois da reunião formal com os market makers (criadores de mercado), Cavallo reuniu em sua casa um grupo de banqueiros de sua confiança para avaliar a situação. A revisão do programa de financiamento dependeria da projeção da arrecadação anual. No ministério de Economia ninguém confirma as informações.
Mais cortesO chefe de gabinete da Presidência anunciou, ontem, que o governo fará novos cortes nos gastos públicos para cumprir as metas de déficit fiscal acordadas com o FMI (Fundo Monetário Internacional). No entanto, Christian Colombo afirmou que é irracional pensar numa reforma do Estado imediata. Segundo ele, nesta semana, todos ministros deverão propor as modificações para fazer as adequações para começar uma minirreforma.
As declarações de Christian Colombo foram feitas logo depois que o secretário Legal e Administrativo, Alfredo CastaÀón, ter dito à imprensa que o governo não tomaria mais medidas de ajustes, mesmo que o FMI exigisse. Nos próximos dias serão adotadas novas medidas, disse.


