Argentina reinspeciona produtos brasileiros
Guto Rocha
O presidente da Associação dos Abatedouros Avícolas do Paraná (Avipar), Paulo Ferreira Muniz, disse ontem em Londrina que a Argentina está impondo aos exportadores brasileiros barreiras sanitárias que não constam no acordo do Mercosul. Muniz disse que um decreto do Ministério da Economia e de Obras e Serviços Públicos argentino criou em maio deste ano o Comitê Executivo do Programa de Inspeção de Preembarque de Importações.
Este comitê, segundo Muniz, exige que os exportadores brasileiros comuniquem com 48 horas de antecedência todas as saídas de mercadorias com destino à Argentina. O comunicado é feito à empresa suíça de inspeção SGS do Brasil, que segundo Muniz, faz uma verdadeira devassa na indústria exportadora, recolhendo produto antes de ser embarcado e o enviando para análise. A avicultura brasileira é regida por uma legislação sanitária do Ministério da Agricultura. A vinda de uma outra empresa de inspeção de fora afeta a soberania do próprio Ministério da Agricultura, afirmou Muniz.
O chefe regional do Ministério da Agricultura de Londrina, Juarez José Santana, afirmou que só a Argentina adota esta medida na importação de produtos brasileiros. A Europa, Estados Unidos e Japão fazem inspeções mas periódicas, não acompanham o embarque. E o Brasil também não faz este tipo de fiscalização na Argentina, comentou, observando que 70% da produção láctea da Argentina é destinada para o Brasil.
O delegado do Ministério da Agricultura do Paraná, Mário Bezerra Guimarães, disse ontem ao ficar sabendo do procedimento da Argentina que iria tomar providências junto ao ministro da Agricultura. O que a Argentina está fazendo é uma reinspeção em cima da que nós já fazemos. Se for assim vamos trocar chumbo na mesma proporção, afirmou.





