Agência Folha
De Brasilia
O governo argentino cedeu às pressões e aos protestos do governo brasileiro e o presidente Carlos Menem aceitou revogar, após encontro com Fernando Henrique Cardoso, as salvaguardas comerciais para produtos do Mercosul. ‘‘O presidente Menem se comprometeu a revogar a aplicação da resolução 911 (salvaguardas comerciais) para produtos originários do Mercosul’’, afirmou o ministro das Relações Exteriores brasileiro, Luiz Felipe Lampreia, à 0h30 de ontem, após o jantar entre Menem e FHC.
Os dois presidentes se reuniram sozinhos antes do jantar, numa conversa privada. Lampreia disse ainda que, na quarta-feira, em Montevidéu, serão retomadas negociações que incluirão a ativação do Grupo de Acompanhamento da Conjuntura Econômica (criado em junho em Assunção). Esse grupo examinará a evolução do fluxo de comércio no bloco e, sempre que houver modificações importantes, segundo Lampreia, os representantes dos governos apresentarão diagnósticos.
Na sexta-feira, também em Montevidéu, se reúne o Conselho de Ministros do Mercosul para tomar decisões sobre ações que visem corrigir distorções do comércio intrazona e a levar adiante a coordenação macroeconômica do bloco.
O ministro das Relações Exteriores argentino, Guido Di Tella, afirmou que a relação com o Brasil tem ‘‘importância central’’. ‘‘Isso não é uma frase, mas uma profunda convicção do governo argentino’’. Os presidentes Menem e FHC e ministros dos dois países assistiram uma exposição dos ministros das Relações Exteriores brasileiro e argentino.
Lampreia e Di Tella haviam se reunido das 19h às 20h30, antes do jantar entre os presidentes. Nessa reunião, a Argentina já havia acenado com a possibilidade de rever as salvaguardas comerciais. Mas Di Tella afirmara que seria preciso discutir e prever no Mercosul mecanismos que dessem flexibilidade aos países do bloco.
O presidente argentino chegou às 22h15 de quinta-feira ao Palácio da Alvorada, em Brasília. Menem e FHC se abraçaram e foram questionados sobre as divergências. ‘‘Que divergências?’’, perguntou FHC. E Menem afirmou que está tudo bem entre os dois países.
O encontro entre FHC e Menem foi sugerido pelo presidente argentino, segundo o Itamaraty. Menem estava voltando de Nova Orleans (EUA) para Buenos Aires e iria fazer escala técnica em Manaus. Mas decidiu parar em Brasília para conversar com FHC.
José Alfredo Graça Lima, subsecretário para Assuntos de Integração, Econômicos e de Comércio Exterior do Itamaraty, havia afirmado que as medidas argentinas inviabilizavam o Mercosul.

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