Agência Estado
De São Paulo
O governo brasileiro precipitou-se ao anunciar, na véspera do Natal, um acordo com os argentinos, por meio do qual o regime automotivo transitório do Mercosul teria fixado alíquotas de Imposto de Importação iguais para Brasil e Argentina. O governo da Argentina não aceitou taxar veículos em 35% e peças em 9% em média para compras fora do Mercosul. Estes percentuais foram propostos e valem para o Brasil. Mas no país vizinho, o governo decidiu manter 32% para veículos e 2% a 3% para peças durante os 60 dias da duração do acordo provisório.
Ao anunciar ontem ter aceito a condição dos argentinos, o secretário de Política Industrial do Ministério do Planejamento, Hélio Mattar, deu mostras da decisão brasileira em participar de uma espécie de composição política, que evitará mais turbulências nas relações comerciais entre os dois países. O Brasil deu um voto de confiança ao novo governo, esperando poder negociar melhor para o acordo definitivo. No próximo dia 12 eles já estarão reunidos.
Mattar trouxe ao final de dezembro para a imprensa uma posição antecipada em razão de vazamento da notícia no jornal argentino ‘‘El Clarín’’. A informação se baseava nas conversas telefônicas entre a secretária da Indústria argentina, Débora Giorgi, e o secretário da Câmara de Comércio Exterior (Camex) brasileira, José Botafogo Gonçalves. Mas os argentinos preferiram, posteriormente, manter as alíquotas do seu atual regime.
O carro importado teve em 1999 um aumento de 53% por causa da desvalorização do real. O preço do veículo nacional subiu cerca de 28% no mesmo período.