Uma missão do Fundo Monetário Internacional (FMI) desembarcará em Buenos Aires amanhã à noite para negociar a nova Carta de Intenções argentina. Nestas negociações deverá ser definida a ajuda financeira do Fundo para a Argentina com a qual o país evitaria a suspensão do pagamento da dívida externa pública no ano que vem. A missão será comandada por Teresa Ter Minassian, subdiretora do Departamento Ocidental do Fundo.
O anúncio foi feito pelo ministro da Economia, José Luis Machinea, que comentou as recentes declarações do diretor-executivo do FMI, Stanley Fischer, de que o risco de default ainda não havia passado para a Argentina: ‘‘As declarações não são preocupantes’’. Segundo Machinea, se o país não recebesse a ajuda financeira dos órgãos multilaterais de crédito, ‘‘a Argentina teria um problema de cumprimento da dívida, mas este não é o caso hoje em dia’’.
O diretor do FMI havia anunciado que a ajuda para a Argentina somente chegaria com a implementação das medidas econômicas. Respondendo ao alerta de Fischer, o chefe de assessores do Ministério da Economia, Pablo Gerchunoff, reforçou a necessidade de urgência de aprovar as medidas: ‘‘A condição necessária para viver bem é salvar o crédito público’’.
MorteUm país praticamente paralisado e um morto foi o saldo da terceira greve geral da Argentina no governo Fernando de la Rúa. A paralisação, de 36 horas, foi iniciada ao meio-dia de anteontem numa convocação feita pela ala dissidente da CGT (principal entidade sindical da Argentina) e pela CTA (Central dos Trabalhadores Argentinos). Na madrugada de ontem recebeu o apoio da facção oficial da CGT.
Segundo estimativa dos sindicalistas, o grau de adesão teria alcançado 93%. Acusando os manifestantes de usar práticas de intimidação para obter apoio, a ministra do Trabalho, Patrícia Bullrich, se negou a falar sobre o nível de adesão da paralisação. Ontem não funcionaram os bancos, e o comércio teve nível reduzido de empregados. Hospitais atenderam em regime de plantão. Os trens do metrô circularam em esquema de emergência. Nos aeroportos, as empresas aéreas foram obrigadas a cancelar ou reprogramar os horários de seus vôos, prejudicando os passageiros. Em Resistência, na Província do Chaco (norte da Argentina), um manifestante morreu na noite de quinta-feira enquanto fazia um piquete sobre uma ponte. Eram duas as versões para a morte do desempregado de 23 anos: primeiro de que teria sido baleado por um motociclista que tentara atravessar a ponte. A segunda, de que fora atropelado.

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