Argentina recebe ajuda de US$ 39,7 bi
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terça-feira, 19 de dezembro de 2000
Ariel Palácios Agência Estado De Buenos Aires 
A Argentina recebeu ontem o maior crédito de sua história: um total de US$ 39,7 bilhões de ajuda financeira internacional. O pacote de ajuda, denominada de blindagem financeira, é formado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), Banco Mundial, BID, um grupo de bancos locais, fundos de investimentos e o governo espanhol. Este acordo é o 19ºassinado entre o FMI e a Argentina desde que o órgão internacional começou a participar da economia local há 42 anos, e durará três anos.
O anúncio da ajuda foi realizada na residência oficial de Olivos pelo presidente Fernando De la Rúa e o ministro da Economia, José Luis Machinea. De la Rúa, para demonstrar que seu ministro permanecerá no cargo, apesar dos recentes rumores de uma provável substituição, abraçou Machinea, em uma rara demonstração de afeto por parte do presidente, conhecido pela sua reserva. De la Rúa estava acompanhado de perto por todo seu gabinete, mas fez o anúncio sozinho, em uma tribuna, sob focos especiais de luz que lhe davam destaque.
Referindo-se implicitamente ao déficit fiscal de US$ 10 bilhões deixado pelo governo do ex-presidente Carlos Menem, De la Rúa disse que o país começa uma nova etapa, e deixamos para trás um ano difícil, que tivemos que transitar nas duras condições em que pegamos o governo.
Segundo o presidente, esta ajuda financeira permitirá ao país evitar surpresas: Começaremos a colher o que semeamos com esforço. Esta nova etapa será de crescimento sustentável. Logo depois de uma introdução de De la Rúa, Machinea explicou a parte técnica, esclarecendo que a ajuda estará dividida desta forma: o Fundo Monetário contribuirá com US$ 13,7 bilhões. Os bancos locais, credores de mercados, colocarão US$ 10 bilhões, enquanto que os investidores institucionais participarão com US$ 3 bilhões.
Além disso, o BID e Banco Mundial colocarão US$ 2,5 bilhões cada um. O governo da Espanha também participará com US$ 1 bilhão. Além desta ajuda, também entram no pacote US$ 7 bilhões por troca de bônus e de reinvestimentos de títulos. A operação financeira prolonga-se até o ano 2003.
Segundo o ministro, do total do pacote, US$ 25,4 bilhões estarão disponíveis até dezembro de 2001. No ano que vem, a Argentina tem vencimentos da dívida externa pública de US$ 15,3 bilhões.
Machinea sustentou que esta ajuda financeira é contundente e assim elimina qualquer dúvida sobre o país, e que por isso começa uma nova etapa na Argentina. O ministro afirmou que com esta ajuda as taxas de juros, o risco-país e os impostos vão cair.
O ministro afirmou que esta ajuda foi preventiva e a definiu como diferente às realizadas ao longo dos anos 90 com o México, Rússia e Brasil: Nesses casos a ajuda chegou depois da crise ter começado. Nós agimos de forma preventiva e conseguimos o acordo antes de ter problemas. Isto é único no mundo, e assim podemos passar pelo 2001 com tranquilidade.


