Argentina quer vender madeira ao PR
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quinta-feira, 10 de dezembro de 1998
Oswaldo Petrin 
Toda madeira que o pólo moveleiro de Arapongas e região precisa pode ser fornecida pela Argentina, a preços vantajosos. A Província del Chaco, com 4,5 milhões de hectares, ainda sem exploração, está oferecendo madeiras de alto padrão, comparáveis às variedades mais empregadas na indústria brasileira.
O governador da Província del Chaco, Angel Rozas; o secretário de Comércio Exterior e Relações Internacionais, Luciano Rafael Fabris, e um numeroso grupo de empresários, cumpriram programa na região, ontem, com visitas a indústrias e ao prefeito Antônio Belinati, às 20 horas. Pela manhã, houve entrevista à imprensa no hotel Bristol. Também estava prevista uma visita à vice-governadora Emília Belinati.
A disposição de fornecer madeiras à indústria regional é a meta principal da missão, expressa na entrevista do secretário de Comércio Exterior da Província del Chaco, Luciano Rafael Fabris, cujo tema principal foi a boa qualidade da matéria-prima disponível e a infra-estrutura para extração e transporte.
Fabris explicou que a demanda de madeira por parte da indústria argentina é modesta porque o país não tem grandes pólos moveleiros como o Brasil (que absorve cerca de 100 mil metros cúbicos/mês - 10% só em Arapongas), daí o interesse de vender ao Brasil. Da entrevista participaram ainda os empresários Otaviano Duarte, do Grupo Promotor do Desenvolvimento Regional (GPDR); Claudemir Pereira, da indústria Santos Andirá, de Andirá, e Ivan Cleber Martins e Oliveira, diretor de Comércio Exterior do Sindicato da Indústria Moveleira.
Os empresários Claudemir Pereira, da Santos Andirá, de Andirá e Cleber Martins, de Arapongas , admitem que pode haver negócios com a Argentina, dependendo do interesse de cada indústria. Por enquanto - a julgar pelo nível de conhecimento que eles têm sobre a província argentina -, tudo são apenas prospecções.
É a segunda vez que os argentinos vêm ao Paraná. Na visita anterior, os governadores das Províncias de Chaco e Santa Fé trocaram informações com empresários da região, do Oeste do Estado de São Paulo e com o governador Jaime Lerner. O precursor desses contatos preliminares é o Grupo Promotor de Desenvolvimento Regional, através do empresário londrinense Otaviano Duarte, que está montando indústria de óleos vegetais em Chaco.
Otaviano - que tem experiência sobre a região chaque¤a e seu potencial - aposta em futuras transações entre norte-paranaenses e argentinos. Ele confirma as boas condições de infra-estrutura daquela província, as facilidades de transporte e outras variáveis que fazem com que a madeira do Chaco chegue aqui com vantagens competitivas para os paranaenses. São cerca de 1,1 mil quilômetros de distância comparados a distâncias maiores percorridas por madeiras que vêm das nossas fronteiras florestais. Mas a principal vantagem comercial em favor da madeira do Chaco, está na grande disponibilidade e oferta da mercadoria.
Luciano Rafael Fabris faz algumas ressalvas com relação ao manejo. O governo argentino não admite corte de árvores abaixo de determinado diâmetro (ele não informou exatamente quanto) para que a extração não se torne predatória. Esta, porém, não é a única exigência. Contudo, o governo argentino está incentivando as exportações de madeiras.
O abastecimento de madeira preocupa a indústria. Atualmente, o Pólo Moveleiro de Arapongas consome, por ano, uma média de 600 mil metros cúbicos de madeira bruta, o que significa um volume de 300 a 400 metros cúbicos de madeira processada, conforme informa a assessoria do Sebrae - que tem parceria com o Sindicato num projeto de reflorestamento (Simflor). Segundo a mesma fonte, o Instituto Ambiental do Paraná (Iap), prevê que a partir de 2007 a oferta de madeira passa a ser menor que a procura. A curva de declínio da oferta - diz - já começou neste ano. O projeto prevê o reflorestamento de uma área inicial de 520 ha e visa garantir a competitividade da indústria. A meta é que daqui a cinco anos possam ser plantados três milhões de árvores/ano.


