Argentina quer limitar importação de celular do Brasil
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sábado, 08 de agosto de 2009
Renato Cruz<br> Agência Estado 
São Paulo - A onda de protecionismo criada pela crise internacional atingiu com força as vendas de celulares brasileiros aos exterior. O telefone móvel é o principal produto de exportação da indústria eletroeletrônica no país. No primeiro semestre, a queda nas vendas somou US$ 674 milhões, o que representa uma redução de 40% sobre os US$ 1,123 bilhão faturados no mesmo período de 2008.
No começo do ano, Equador e Venezuela impuseram barreiras às importações que afetaram os produtos brasileiros. Agora, a Argentina, maior importador de eletroeletrônicos do Brasil, segue pelo mesmo caminho. Na noite da quarta-feira, a Câmara dos Deputados daquele país aprovou um aumento nos impostos cobrados internamente, com uma taxa adicional de 17% e 38,5%. Os produtos fabricados na zona franca da Terra do Fogo ficaram isentos.
''A tendência é exigirmos retaliação à Argentina'', afirmou Humberto Barbato, presidente da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee). ''O governo precisa tomar medidas mais firmes, porque se não o Mercosul não existe. Com essa política de colocar panos quentes, o Brasil só tem perdido mercado.'' A Abinee tem uma reunião na Argentina no dia 17 deste mês.
O primeiro país a impor barreiras à importação foi o Equador. Por causa de problemas na balança de pagamentos, o país criou uma sobretaxa de 35% sobre o produto importado, e suspendeu um acordo do Mercosul com a Comunidade Andina, que permitia aos celulares vendidos pelo Brasil entrarem no país sem ter que pagar uma taxa de 15%. Ou seja, o imposto de importação subiu, de uma tacada só, de zero para 50%.
As exportações para o Equador caíram 76%, passando de US$ 43 milhões entre janeiro e junho de 2008 para US$ 10 milhões, segundo dados da Abinee. A situação, no entanto, começou a ser revertida. O governo equatoriano já voltou a isentar o Brasil da taxa de 15% e acena com uma suspensão da sobretaxa para janeiro do ano que vem. Segundo a avaliação de alguns fabricantes, apesar de nocivo à indústria brasileira, o aumento no imposto de importação do Equador está de acordo com as regras da Organização Mundial de Comércio (OMC).
A situação na Venezuela, no entanto, é mais complicada. O governo venezuelano está controlando as importações de celulares por meio da Comissão de Administração de Divisas (Cadiv), que controla a liberação de divisas para pagamentos no exterior. A autarquia passou, desde o começo do ano, a segurar os recursos necessários para as operadoras privadas pagarem a importação de celulares. A Movilnet, controlada pelo governo, não enfrenta as mesmas dificuldades.
O caso argentino começou como um problema de balança de pagamentos também, mas logo os empresários locais enxergaram a oportunidade de revitalizar a zona franca da Terra do Fogo. Segundo fontes de mercado, existem naquela região somente dois fabricantes terceirizados, sem marca própria, que atendem a cerca de 1% da demanda do país, que está próxima de 10 milhões de aparelhos por ano.
Na visão de alguns fabricantes brasileiros, as empresas instaladas na região não serão capazes de suprir a demanda local, o que fará com que o celular brasileiro seja substituído por produto importado de outros países. Outros acreditam que a Argentina está interessada em atrair fabricantes chineses. Antes mesmo da medida protecionista, as vendas de celulares brasileiros para a Argentina diminuíram 30% no semestre, chegando a US$ 318 milhões.
Segundo Luiz Claudio Carneiro, diretor de Relações Governamentais da Nokia Brasil, diante deste cenário, a alternativa encontrada pelos fabricantes brasileiros tem sido buscar outros mercados.


