Buenos Aires O ministro da Economia da Argentina, Roberto Lavagna, levará para a do Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial, em Washington, a firme proposta de independência do organismo. A opção que o governo de Néstor Kirchner vem aplicando desde julho do ano passado, quando rompeu o acordo com o FMI, tem consistido no pagamento de todos os vencimentos da dívida que o país mantém com o organismo, exceto as parcelas que podem ser prorrogadas, e o cumprimento de pautas que não representem nenhum tipo de arrocho.
Lavagna viajará na próxima quinta-feira, após o enfrentamento que Kirchner teve com o diretor-gerente do FMI, Rodrigo De Rato, na semana passada, em Nova York, quando o presidente recriminou e reclamou da postura do organismo em relação à Argentina. Cara a cara, Kirchner defendeu uma mudança das ''receitas'' do FMI e uma participação ativa dos países da região na definição das novas receitas.
Apesar do discurso afinado com a posição do governo brasileiro, não está claro se a Argentina apoiaria a investida do Brasil para ter maior poder na diretoria do organismo. No Ministério de Economia existe um hermetismo total sobre o assunto.
No orçamento de 2006, o governo prevê o refinanciamento de US$ 3 bilhões da dívida com o FMI mas até o momento não há nenhum sinal de uma negociação com o governo. As alternativas de Néstor Kirchner não são muitas: encontrar um caminho de negociação para depois das eleições parlamentares de outubro; ou apostar num crescimento maior do país para engrossar o superávit fiscal; ou ainda, colocar mais dívida no mercado. Nos corredores do Palácio da Fazenda se comenta sobre ''uma opção para solucionar o problema com o FMI''.
Sem confirmação alguma, fala-se na possibilidade de um empréstimo do governo chinês para que a Argentina prossiga com sua política de redução do endividamento com o FMI. O fato é que o governo ainda não definiu se fará um esforço para obter um acordo com o Fundo a partir do próximo ano.

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