Argentina quer incrementar relações com o Brasil
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quarta-feira, 06 de março de 2002
Agência Estado 
Buenos Aires Ativar os mecanismos que incrementem as relações bilaterais com o Mercosul. Esta foi a ordem que o presidente Eduardo Duhalde deu ontem a seus ministros. Segundo o porta-voz presidencial, Eduardo Amadeo, Duhalde pediu a seus ministros que se concentrem em medidas para aumentar o comércio dentro do Mercosul, verificar as possibilidades de eliminar barreiras alfandegárias e não-alfandegárias que atualmente dificultam o comércio entre os dois países, além da eliminação de licenças não-automáticas.
No passado, quando era governador da província de Buenos Aires (1991-99), Duhalde teve um discurso que oscilou entre posições pró-Mercosul e duros ataques ao Brasil. Em diversas ocasiões protestou contra as vantagens fiscais oferecidas por municípios brasileiros para a instalação de empresas, o que o fez alertar sobre um êxodo argentino para o território brasileiro.
No entanto, desde que tomou posse como presidente, há dois meses, o discurso de Duhalde adquiriu tons de intensas declarações de amor ao Mercosul. Motivos, existem de sobra, principalmente a alta dependência que a produção argentina possui em relação ao Brasil. Do total das exportações argentinas, 27% são destinados ao mercado brasileiro. As exportações de alguns setores, como
laticínios e trigo são quase que totalmente Brasil-dependentes.
Amadeo explicou que a ordem expressa de Duhalde tem como objetivo avançar nos próximos dias em diálogos bilaterais tanto com o Brasil como com o México. No caso mexicano, as negociações se referem primordialmente ao comércio automotivo.
A Câmara de Exportadores da Argentina (Cera) anunciou que as exportações totais do país terão uma redução de US$ 2 bilhões neste ano. Isso equivale a 8% a menos do que no ano passado.
A Cera também protestou contra a determinação governamental de que o pagamento dos direitos de exportação sejam efetuados no momento de exportar: ou seja, muito antes de receber por sua venda, o que agrava os sérios problemas de liquidez do setor.
O ex-secretário de Comércio Exterior, Raúl Ochoa, definiu esta determinação como kafkiana: Antes os exportadores tinham reembolsos, e agora sofrem retenções. Enquanto que outros países concedem subsídios e ajudas para a exportação, aqui na Argentina castigamos nossos exportadores.
Os produtores de leite das províncias de Córdoba, Santa Fe e Buenos Aires prolongarão por tempo indeterminado os bloqueios que realizam desde o início da semana nas estradas de acesso às indústrias de laticínios. Os produtores exigem do governo a permissão para aumentar o preço de seus produtos, que estão regulados.


