Os problemas causados pela diferença na política cambial e pelo desequilíbrio no comércio entre Brasil e Argentina serão discutidos hoje entre os ministros da área econômica dos dois países, segundo disseram ontem os presidentes Fernando Henrique Cardoso e Fernando de la Rúa.
''Nesta terça nossos ministros vão discutir temas específicos ao comércio e ao conjunto das expectativas de nossas economias no que diz respeito à convergência macroeconômica'', disse Fernando Henrique. Os dois se encontraram ontem no Palácio da Alvorada, onde almoçaram e tiveram um encontro privado de 40 minutos.
Mas o presidente De la Rúa avisou que não haverá desvalorização. ''Quero reafirmar aqui que a Argentina não vai desvalorizar, que tem condições de enfrentar todas suas obrigações e vamos trabalhar para fazer efetivo o equilíbrio fiscal e o programa de déficit zero e não há dolarização prevista'', disse.
''Nenhum de nós desconhece as dificuldades que existem atualmente, que são acrescidas pela crise política e pelo menor desenvolvimento da economia mundial, mas que são dificuldades que também dizem respeito à própria conjuntura dos nossos países, mas sabemos separar perfeitamente a conjuntura dos problemas de longo prazo'', disse o presidente argentino.
As discussões dos ministros sobre os problemas gerados pelo câmbio começaram ontem mesmo. Antes do almoço, enquanto FHC conversava com De la Rúa, outras duas reuniões ocorriam no Palácio da Alvorada.
O ministro da Fazenda, Pedro Malan, e o presidente do Banco Central, Armínio Fraga, conversaram com o ministros argentinos da Economia, Domingo Cavallo, e da coordenação, Cristian Colombo.
Em uma outra sala, reuniram-se os chanceleres Celso Lafer e Adalberto Rodríguez Giavarini. O representante especial do Mercosul, José Botafogo Gonçalves, e o ministro da Casa Civil, Pedro Parente, também participaram do almoço. Os argentinos querem adotar um mecanismo de compensação que diminua o impacto da desvalorização do real no comércio com o Brasil.
A preferência é por uma tarifa adicional nas exportações do Brasil para a Argentina, proporcional à desvalorização da moeda e que seria aplicada quando a depreciação da moeda superasse um limite a ser discutido.
O governo brasileiro vem afirmando, porém, que não aceita resolver o problema do câmbio com aumento de tarifas e que, apesar da desvalorização do real, a Argentina continua registrando superávit comercial. Até setembro, somava US$ 701 milhões.

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