Argentina quer 70% do dinheiro em 2001
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quinta-feira, 30 de novembro de 2000
Ariel Palácios Agência Estado De Buenos Aires 
Rumores no âmbito governamental, ontem, sustentavam que parte da ajuda financeira que a Argentina receberia do Fundo Monetário Internacional (FMI) para evitar a suspensão do pagamento da dívida externa pública seria dividida em duas partes, a pedido do governo: a idéia é receber 70% do total da ajuda no ano que vem, enquanto que os 30% restantes seriam recebidos no ano 2002.
A equipe econômica também está tentando convencer o Fundo de que este desembolso seja realizado em cash, e não na forma de créditos contingentes. Ainda não existem números concretos sobre o total da ajuda que o FMI concederá, em conjunto com o Banco Mundial, BID, Fundos de Investimentos e um grupo de bancos locais. As especulações sobre o total do pacote de ajuda variam muito, e oscilam entre US$ 20 bilhões e US$ 30 bilhões.
O próprio ministro da Economia, José Luis Machinea, sem entrar em detalhes nas porcentagens, afirmou que a ajuda será mesmo em cash. Sobre esse tema, o secretário de Finanças, Daniel Marx, declarou, ao retornar de Washington, que ainda é prematuro falar sobre uma quantia. Mas trata-se de um valor substancial.
O ministro Machinea afirmou que o acordo com o FMI estará pronto daqui a uma semana, no máximo. Somente nessa ocasião, declarou o ministro, anunciaremos qual será a blindagem financeira. Segundo ele, os desembolsos da ajuda começarão até o fim de dezembro.
O secretário de Programação Econômica, Miguel Bein, deu uma pista sobre quantia a ser recebida, e disse que as necessidades financeiras da Argentina serão cobertas pelo pacote de ajuda financeira. As necessidades argentinas somariam mais de US$ 19,5 bilhões. Bein também informou que o governo não prevê nenhuma operação financeira nos mercados internacionais antes do fim deste ano. Bein também disse que em dezembro já seriam utilizados US$ 2 bilhões do Fundo para o pagamento de parte da dívida.
O governo argentino continua negociando com a missão de técnicos do FMI em Buenos Aires, que desde ontem contam com a presença de sua chefe, Teresa Ter Minassian. A negociadora desembarcou no aeroporto de Ezeiza, e foi recolhida diretamente na pista, para evitar qualquer contato com a imprensa.
O secretário de Defesa da Concorrência, Carlos Winograd, declarou à imprensa brasileira em Buenos Aires que com o pacote de ajuda financeira, a Argentina está comprando um seguro pela possibilidade de enfrentar acidentes mais graves no futuro.


