Buenos Aires – O governo argentino prorrogou o feriado cambial até amanhã. A interrupção dos negócios no mercado de moedas tem como objetivo dar tempo à equipe econômica para que sejam elaboradas e afinadas as medidas que devem estrangular o mercado livre de câmbio.
Formalmente, o câmbio será livre e flutuante. Mas o governo de Eduardo Duhalde procura de todas as maneiras enxugar a maior quantidade possível de dólares da economia e limitar os negócios com a moeda norte-americana. O objetivo é evitar uma disparada do preço do dólar e o risco decorrente de inflação.
Depois de proibir a venda de dólares pelos bancos aos clientes, o governo achou prudente limitar a quantidade de dólares que cada pessoa pode comprar. O ministro da Economia, Jorge Remes Lenicov, e o presidente do Banco Central, Mario Blejer, definiam em reunião, que até o início da noite de ontem ainda não havia acabado, de quanto seria esse limite. O mais provável é que cada pessoa passasse a poder comprar apenas US$ 1.000 de cada vez, por um período de tempo também ainda indefinido. Estudava-se também a obrigação de as pessoas terem de preencher um formulário para comprar a moeda dos Estados Unidos.
Com esse limite, o governo tenta conter o aumento da demanda da moeda norte-americana, decorrente da maior quantidade de pesos que os argentinos passarão a ter no bolso com a liberação das contas em que são depositados seus salários.
A projeção dos analistas financeiros ouvidos pela Agência Folha é que o dólar pode alcançar os 2,50 pesos quando o mercado de câmbio voltar a funcionar normalmente. Os doleiros vendiam ontema moeda por até 2,30 pesos nas ruas de Buenos Aires. Na sexta-feira, último dia em que houve o câmbio oficial de 1,40 peso, eram necessários 2,10 pesos para comprar US$ 1.
O ministro-chefe de Gabinete de Eduardo Duhalde, Jorge Capitanich, afirmou que as restrições no mercado de câmbio durarão apenas alguns meses, até que o impacto inicial de deixar o câmbio flutuar tenha sido absorvido.
No interior do país e nas Províncias menores, onde não há casas de câmbio, os bancos continuarão vendendo dólares ao público. A proibição de vender dólares aos clientes ajuda a diminuir as filas e os tumultos que vinham dificultando o funcionamento das agências bancárias. Os bancos devem poder continuar vendendo a divisa para as empresas, em negócios superiores a US$ 20 mil.

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