Argentina promete plano sustentável
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quarta-feira, 30 de janeiro de 2002
Agência Estado 
Buenos Aires Embora o Ministério da Economia da Argentina tenha acentuado ontem a necessidade de o país receber o socorro financeiro externo para poder flutuar serenamente sua moeda, o presidente argentino, Eduardo Duhalde, insistiu em manter um discurso interno mais agressivo. Em seu novo programa de rádio, afirmou que o país é associado ao Fundo Monetário Internacional (FMI) e, portanto, não vai suportar suas pressões. Argumentou ainda que vai apresentar ao Fundo o que entende por um plano econômico sustentável, cujo conteúdo será anunciado no sábado.
Por meio de seu programa Conversando com o Presidente, na Rádio Nacional, Duhalde afirmou que o plano econômico terá o objetivo de desbloquear a economia e de desbloquear o curralzinho, em referência ao congelamento dos depósitos bancários vigente desde o último dia 3 de dezembro. A apenas três dias do anúncio prometido, entretanto, a equipe econômica continuava ontem encerrada em discussões sobre os métodos da pesificação da economia do país uma das principais medidas do plano.
Vamos impulsionar fortemente a economia argentina, prometia Duhalde. A Argentina não está quebrada. Está superquebrada. Mas estamos com muita vontade de levar o país adiante, completou. As declarações do presidente argentino respondem ao comunicado conjunto do FMI, do Banco Mundial e do Banco Interamericano de Desenvolvimento (Bird), no qual as instituições acenaram com a possibilidade de conceder apoio financeiro, desde que o plano permita a reativação da atividade econômica, a preservação da estabilidade macroeconômica e o crescimento. A trinca antecipou o desembolso de dois empréstimos anteriores, que somariam US$ 2 bilhões e seriam destinados a ações na área social. Mas, dentro do governo argentino, a avaliação é que esse gesto ainda não é suficiente para garantir a ajuda financeira desejada. O principal negociador do Ministério da Economia com o FMI, Alejandro Barry, deixou claro que o anúncio desses desembolsos teve o objetivo de permitir a acomodação dos US$ 2 bilhões no Orçamento de 2002, cujos números estão sendo fechados pelo governo nesta semana.
A dificuldade do governo argentino está no fato de que não existe um plano B, para o caso de o FMI rejeitar o programa que será anunciado no sábado ao país e entregue a sua diretoria na semana que vem. O único plano que dispõe, ainda em maturação, depende exclusivamente da ajuda financeira internacional para ser posto em prática. O vice-ministro da Economia, Jorge Todesca, deixou claro ontem que os recursos dessa ajuda financeira seriam incorporados às reservas internacionais.


