Argentina 'produz' 2 mil novos pobres por dia
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sábado, 24 de novembro de 2001
Agência Estado<br>De Buenos Aires 
''A Argentina fabrica 2 mil novos pobres diariamente''. A afirmação foi feita por Artemio López, diretor da Consultora Equis, um dos principais centros argentinos de estudos sobre pobreza e desemprego. Segundo López, 60% dos novos pobres em Buenos Aires e sua região metropolitana pertenciam até pouco tempo atrás à crescentemente encolhida classe média. São considerados pobres os argentinos com receitas mensais inferiores a US$ 480.
Por causa da recessão, que assola o país há três anos e meio, a pobreza disparou na Argentina, país que até os anos 80 era conhecido pelos clichês de ''paraíso da classe média'' e ''um pedaço da Europa perdido no Hemisfério Sul''.
Mas estas características já desapareceram e o país torna-se, aceleradamente, cada vez mais parecido a seus vizinhos da América Latina, com sem-tetos pelas ruas e crescentes filas de pessoas procurando emprego, sem consegui-lo.
Em 1975, dos então 22 milhões de argentinos, somente 2 milhões eram pobres, na época concentrados principalmente nas ''villas miseria'' (favelas) ou em cortiços. Um quarto de século depois, de um total de 37 milhões de habitantes, 14 milhões estão abaixo do nível da pobreza.
No último ano 730 mil pessoas entraram no grupo de pobres argentinos. Estes pobres não estão mais restritos às ''villas'', mas agora espalham-se também pelos bairros de classe média e de média alta.
Os sem-teto, fenômenos sociais antes praticamente desconhecidos na Argentina, hoje são milhares, que dormem ao longo das principais avenidas e praças de Buenos Aires.
O salto final da Argentina para a pobreza foi dado a partir da atual recessão, que iniciou em 1998. Um ano antes, 26% da população argentina era pobre. Atualmente, a proporção é de 40%. O sonho dourado acabou, e os argentinos têm saudades desses tempos que parecem não voltar mais. Segundo uma pesquisa da consultora Graciela Römer e Associados, 76% dos argentinos consideram que seus pais possuíam um nível de vida melhor que o atual.
A perspectiva de uma guinada nesta tendência de decadência do país é mínima, para a maioria dos argentinos. O sentimento que prevalece é que a Argentina continuará inexoravelmente sua decadência, pelo menos, por mais uma geração.


