Argentina prevê risco de apagão
O Senado argentino emitiu um comunicado alertando o governo para um colapso do sistema de energia elétrica na Argentina caso não sejam tomadas medidas urgentes. Segundo o Senado, se nos próximos dois anos não forem concedidos estímulos para investimentos em usinas geradoras de energia elétrica, o país poderia ter apagões e enfrentar racionamentos similares aos que estão atingindo o Brasil.
Os parlamentares consideram que poderiam ocorrer leves racionamentos no próximo verão, seguido por um agravamento no inverno de 2002, para finalmente chegar a apagões em 2003. O relatório do Senado junta-se aos pedidos de empresários desde o ano passado para que o setor de energia elétrica seja desregulado no país, de forma a facilitar os investimentos na área.
Segundo os especialistas, a Argentina conta com uma capacidade de geração de 22 mil megawats. No entanto, a demanda, que cresce 6% por ano, mesmo com a recessão econômica que dura quase três anos, poderia complicar o panorama. Isto seria agravado pelo estado de diversas centrais de geração elétrica, consideradas velhas demais, além de problemas em toda a rede de distribuição, que causam que somente estejam disponíveis 15 mil megawats.
O Senado também afirma que é preciso construir novos gasodutos, já que os atuais ficariam insuficientes em breve. Enquanto isso, um dos principais grupos empresariais da Argentina, o Grupo Pescarmona, solicitou ao governo que sejam aceleradas as obras para a elevação até 83 metros da cota da represa da hidroelétrica binacional (com o Paraguai) de Yaciretá, instalada sobre o rio Paraná. Yaciretá é a maior hidroelétrica da Argentina.
A intenção é aumentar em 8 mil Gigawats a potência de Yaciretá, elevando-a para 20 mil Gigawats. A proposta do grupo Pescarmona é concluir as obras em trinta meses, e exportar os 8 mil Gigawats excedentes para o Brasil. (Ariel Palacios, AE)





