Buenos Aires - O governo argentino foi sacudido hoje (28) pelo segundo protesto popular em menos de três dias. Cerca de 15.000 desempregados e sindicalistas percorreram 30 quilômetros desde La Matanza, no interior da Província de Buenos Aires, para se concentraram diante da Casa Rosada. Ali, pediram o cumprimento da promessa de criação de um milhão de postos de trabalho, o aumento do salário mínimo e a distribuição de alimentos.
A 50 metros dessa concentração, o Ministério da Economia confirmou o anúncio do pacote econômico para o próximo sábado - depois da revisão por Claudio Loser, diretor do Fundo Monetário Internacional (FMI) para o Hemisfério Ocidental, que desembarca hoje no país.
Ao longo do dia, o governo tentou amortecer o impacto da marcha e de suas demandas. O presidente Eduardo Duhalde comprometeu-se a receber seus líderes na quarta-feira, mas os pôs antecipadamente em contato com autoridades dosMinistérios do Trabalho e do Interior.
Pela manhã, Duhalde preferiu manter o encontro já marcado com Hugo Moyano, o presidente da ala dissidente da Confederação Geral dos Trabalhadores (CGT), o braço sindical do peronismo.
Moyano saiu da reunião declarando que dará tempo ao governo e o apoiará se forem adotadas as medidas corretas. Sem incidentes até o fechamento desta edição, a marcha trouxe à Praça de Mayo demandas econômicas e sociais diferentes das apresentadas pela classe média de Buenos Aires nos seus panelaços.
As queixas se concentraram na taxa de desemprego, estimada em 20%, e no aumento da pobreza, e não diretamente nos depósitos presos no ‘‘corralito’’. Ao longo do trajeto, centenas de moradores dos bairros mais pobres da Grande Buenos Aires foram se incorporando à passeata.
A forma de expressão também foi distinta. Prevaleceram os bumbos e os discursos, que são os alardes típicos do sindicalismo argentino, em vez do som agudo do alumínio. Dos panelaços, foi resgatado apenas o refrão ‘‘Que vá todo mundo embora, que não fique nem um só’’.
‘‘Estamos fartos de nos pedirem tempo. Todos os governos pedem o mesmo. Todos os que estão hoje no governo tiveram poder no país antes e agora falam como se tivessem vindo da lua. Pedem ao povo que aperte os cintos e não aos que se beneficiam desta política econômica’’, afirmou Juan Carlos Alderete, um dos líderes da Corrente Classista Combativa (CCC).

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