Argentina prepara medidas contra o Brasil
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segunda-feira, 13 de dezembro de 2004
Ariel Palacios<br> Agência Estado 
Buenos Aires - O governo do presidente Néstor Kirchner estaria novamente direcionando sua artilharia pesada contra o Brasil, já que prepararia novas medidas comerciais para restringir a entrada de produtos provenientes do principal parceiro do Mercosul. As restrições seriam aplicadas para atender às queixas de industriais argentinos que alegam que existe uma ''avalanche'' de produtos Made in Brazil nas áreas de carne suína, tecidos (especialmente veludo), baterias de automóveis, além do plástico ''pet'', utilizado nas garrafas de refrigerantes.
Uma alta fonte do Ministério da Economia citada pelo tradicional jornal ''La Nación'', declarou que ''se for necessário, a Argentina aplicará novas medidas''.
Isto aumentaria mais ainda a lista de produtos brasileiros com complicações para entrar neste país. Entre os produtos que padecem há vários meses restrições dos mais diversos tipos (taxas alfandegárias extras, licenças não-automáticas ou cotas de auto-limitação) estão os tapetes, têxteis, calçados, máquinas de lavar roupa, televisores, fogões e geladeiras. De quebra, o açúcar brasileiro, por decisão do Congresso Nacional argentino, está praticamente impossibilitado de ser comercializado neste país.
Desta forma, sob a ameaça de novas restrições, a cúpula de presidentes do Mercosul que será realizada nesta semana na cidade mineira de Ouro Preto tenderá a repetir o fracasso do conclave anterior do bloco do Cone Sul, ocorrido em julho na pequena cidade argentina de Puerto Iguazú. Na ocasião, Kirchner azedou a abertura da cúpula anunciando que aplicaria medidas contra os eletrodomésticos brasileiros, promessa que cumpriu dias depois.
Os tambores de guerra comercial já estão rufando deste lado do Rio da Prata. No sábado, o chanceler Rafael Bielsa declarou que o governo Kirchner será ''irredutível'' com o Brasil. Além disso, o chanceler argentino disse que não faria esforços em ser ''simpático'' com o ''interlocutor'', em referência ao maior parceiro comercial do Mercosul.
Na sexta-feira, negociadores brasileiros reuniram-se com seus colegas argentinos em Buenos Aires para discutir as exigências do governo Kirchner para implementar uma bateria de mecanismos para impedir ''assimetrias'' dentro do Mercosul. A estrela destas medidas seriam as salvaguardas comerciais, atualmente proibidas dentro do bloco, já que ferem o espírito de livre comércio que tenta manter-se a duras penas no Mercosul. No entanto, Kirchner defende a aplicação destas medidas protecionistas argumentando que é preciso ''proteger'' a indústria argentina, que está se recuperando de anos de descalabro econômico. A intenção brasileira era a de dizer ''não'' às exigências argentinas. Mas, sete horas e meia depois de iniciada a reunião, a comitiva brasileira abandonou o Palácio San Martín, sede da Chancelaria local, exibindo sorrisos amarelos.


